O que não pode faltar na caixa de primeiros socorros com crianças
Uma caixa bem arrumada não substitui o 112, mas poupa minutos quando há um joelho esfolado ou um dedo entalado. Eis os números que vêm primeiro, a única lista oficial que encontrámos e o que a Pequenada sugere para uma casa com crianças.

Antes do conteúdo da caixa, o mais importante é saber quando ela não chega. Uma caixinha de primeiros socorros serve para pequenos acidentes; numa situação grave, o primeiro gesto é ligar.
Este artigo é informação geral: não substitui a consulta com o pediatra ou o médico de família, que conhecem o seu filho. Não indica medicamentos nem doses: se a caixa tiver medicamentos, são os que o pediatra ou o farmacêutico indicarem para o seu filho.
Primeiro, os números
Cole estes números na tampa da caixa e no frigorífico:
| Número | Quando ligar, segundo o SNS 24 |
|---|---|
| 112 | «Perante uma situação grave ou de risco de vida». A chamada é transferida para o INEM. Exemplos: engasgamento (depois de tentar ajudar), dificuldade respiratória grave, queimaduras graves ou em zonas sensíveis, hemorragias abundantes |
| SNS 24 – 808 24 24 24 | «Perante um problema de saúde não emergente», como febre ou o choro persistente da criança |
| Centro de Informação Antivenenos (CIAV) – 800 250 250 | Em caso de intoxicação ou suspeita de intoxicação |
Fontes: a página do SNS 24 «Quando ligar SNS 24 ou INEM» e a página «Como agir em caso de intoxicação», ambas lidas a 2 de outubro de 2026.
Para uma intoxicação, o SNS 24 indica o que dizer ao CIAV: quem (idade, sexo), o quê (o nome do medicamento ou produto, com a embalagem à mão, se possível), quanto, quando, onde e como. E diz para não provocar o vómito.
Ao ligar para o SNS 24, tenha consigo o número de utente, o nome e a data de nascimento da criança. Vale a pena deixar um cartão com esses dados dentro da caixa.
A única lista oficial que encontrámos
Não encontrámos uma lista oficial portuguesa para a caixa de primeiros socorros de casa. A lista que existe é a da DGS para locais de trabalho, na Informação Técnica n.º 01/2010. É a lista mínima que a DGS define para empresas, não uma recomendação para casas, mas é um bom ponto de partida. Inclui:
- máscaras de proteção facial e luvas descartáveis;
- tesoura de pontas redondas;
- compressas esterilizadas de várias dimensões, incluindo próprias para queimaduras;
- pensos rápidos de várias dimensões e rolo adesivo;
- ligaduras elásticas e não elásticas;
- uma solução antisséptica, álcool etílico e soro fisiológico;
- termómetro digital.
A mesma informação técnica considera desejável ter uma manta isotérmica e um saco de frio instantâneo.
O que a Pequenada sugere para uma casa com crianças
A partir dessa base, eis o que faz sentido acrescentar numa casa com miúdos. É uma sugestão nossa, não uma lista oficial:
- Pensos rápidos de tamanhos pequenos, para dedos e joelhos.
- Pinça de pontas finas, para farpas.
- Saco de gelo reutilizável no congelador, para pancadas.
- Soro fisiológico em unidoses, práticas para lavar uma ferida ou um olho.
- Lanterna pequena, para ver dentro da boca ou do ouvido sem mexer.
- Cartão com os números de emergência, o número de utente e as alergias conhecidas da criança.
- Os medicamentos que o pediatra indicou, na embalagem original e com o folheto.
Onde guardar e como manter
O SNS 24, na página «Como evitar acidentes por intoxicação», pede que os medicamentos fiquem fora do alcance das crianças e nas embalagens originais. Uma caixa alta, que feche bem, cumpre as duas regras.
- Reveja a caixa duas vezes por ano e deite fora o que passou de validade.
- Leve uma versão pequena no carro, nas férias e no saco do desporto.
- Produtos para os piolhos nas crianças e outros tratamentos ficam fora da caixa; escolhem-se com o farmacêutico quando são precisos.
Aprender é a melhor parte da caixa
Nenhum material substitui saber o que fazer. Um curso de primeiros socorros pediátricos ensina, com prática, as manobras para o engasgamento e o suporte básico de vida, que não se aprendem bem por escrito. Mais temas em saúde e crescimento ou no início.
Perguntas frequentes
O que deve ter uma caixinha de primeiros socorros em casa?
Não há uma lista oficial para casas. A DGS define uma lista mínima para locais de trabalho (luvas, compressas, pensos, ligaduras, tesoura de pontas redondas, solução antisséptica, soro fisiológico, termómetro digital), que é uma boa base. Com crianças, acrescente pensos pequenos, pinça, gelo e um cartão com os números de emergência.
Que medicamentos devo ter em casa para as crianças?
Os que o pediatra ou o farmacêutico indicarem para o seu filho. Este artigo não indica medicamentos nem doses. Guarde-os fora do alcance das crianças e na embalagem original.
Qual é o número do Centro de Informação Antivenenos?
800 250 250, segundo o SNS 24. Numa situação grave, ligue 112.
Quando ligo para o 112 e quando ligo para o SNS 24?
Segundo o SNS 24, o 112 é para situações graves ou de risco de vida; o SNS 24 (808 24 24 24) é para problemas de saúde não emergentes, como febre.
De quanto em quanto tempo devo rever a caixa?
Não encontrámos uma regra oficial. A Pequenada sugere duas vezes por ano, por exemplo na mudança da hora, para deitar fora o que passou de validade e repor o que se gastou.