O seu filho é daltónico? O que saber sobre o teste

Uma criança que pinta as folhas de roxo nem sempre é daltónica, e um teste visto na internet não responde à pergunta. Eis como funciona o teste de Ishihara, quem o deve fazer e o que muda na vida da criança se o diagnóstico se confirmar.

Ilustração em aguarela: uma menina pinta com um pincel uma árvore de tronco castanho e folhas roxas numa folha grande, e a mãe, sentada ao lado, sorri a olhar para o desenho; na mesa há um frasco com pincéis e um cesto de lápis de cor com pequenas etiquetas em branco atadas.
Ilustração: desenho explicativo, não uma fotografia.

Muitos pais começam a pensar em daltonismo quando a criança troca cores ao desenhar ou não acerta no nome de uma cor que os irmãos já sabiam. A dúvida é legítima, mas a resposta não está numa imagem com pontos vista no telemóvel.

Este artigo é informação geral: não substitui a consulta com o pediatra ou o médico de família, que conhecem o seu filho. Não inclui imagens de teste nem um teste para fazer em casa, de propósito: o resultado de um teste feito fora das condições certas pode enganar nos dois sentidos.

O que é o daltonismo

Segundo a entrada «Daltonismo» da Wikipédia (lida a 2 de outubro de 2026), é uma perturbação da perceção visual em que a pessoa não consegue diferenciar todas ou algumas cores, muitas vezes com dificuldade em distinguir o verde do vermelho. Tem normalmente origem genética e, por estar ligado ao cromossoma X, é mais frequente nos rapazes.

Quanto à frequência, a mesma entrada estima que o tipo vermelho-verde afeta cerca de 8 % dos homens. Para as mulheres dá dois valores diferentes em duas secções: 0,5 % (referido a pessoas com ascendência no norte da Europa) e 1 %. Fica, por isso, a ordem de grandeza: muito mais comum nos rapazes, raro nas raparigas.

Trocar cores aos 3 anos não é o mesmo que daltonismo

Antes de pensar em daltonismo, convém saber o que é esperado em cada idade. A escala de desenvolvimento do Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil (DGS) descreve, aos 3 anos, uma criança que combina o vermelho e o amarelo e ainda «confunde o azul e verde». Aos 4 anos, «combina e nomeia quatro cores básicas». E as notas da escala lembram que, aos 3 anos, «não é obrigatório nomear a cor, mas sim corresponder».

Ou seja, não saber o nome das cores é muitas vezes uma questão de vocabulário, não de visão. O que importa é se a criança consegue juntar as cores iguais, e isso é avaliado pelo médico na consulta.

O que observaO que pode significar
Não sabe o nome das cores aos 3 anosNormal para a idade, segundo a escala da DGS
Troca sempre os mesmos pares de cores, mesmo quando já as nomeiaUma pergunta a fazer ao médico
Mostra pouco interesse em pintarPode ter muitas causas; nenhuma conclusão sozinho

Como funciona o teste de Ishihara

A entrada «Teste de cores de Ishihara» explica que o teste foi criado em 1917 por Shinobu Ishihara, professor da Universidade de Tóquio. Consiste numa série de cartões com círculos de cores ligeiramente diferentes; alguns círculos formam um número que só quem tem visão normal das cores consegue ler. O número de acertos varia com o tipo e o grau de daltonismo.

O NHS, o serviço de saúde britânico, descreve dois tipos principais de teste: o de Ishihara, com imagens de pontos coloridos, e os testes de ordenação de cores, em que se põem objetos coloridos por ordem de tonalidade.

Há uma questão prática com crianças pequenas: o Ishihara clássico pede que se leiam números. Uma criança que ainda não conhece os algarismos não consegue responder, mesmo que veja bem as cores. É uma das razões por que o teste deve ser feito por um profissional, que escolhe a forma de avaliar adequada à idade.

Quem faz o teste de daltonismo infantil

Em Portugal, o caminho começa no médico de família ou no pediatra, nas consultas de saúde infantil, onde a visão é avaliada em várias idades. É ele que decide se há motivo para um teste de visão das cores e para onde encaminhar. Não encontrámos uma fonte oficial portuguesa que diga qual é o profissional responsável por este diagnóstico, por isso não o indicamos aqui.

O NHS lembra que existem testes online, mas que é importante fazer uma avaliação presencial se houver dúvidas sobre a visão. O ecrã, a luz da sala ou o cansaço da criança mudam o resultado.

Se o diagnóstico se confirmar

Leve as suas dúvidas escritas à próxima consulta; a lista de perguntas para os pais levarem ao pediatra inclui a visão. A vigilância regular faz parte dos hábitos saudáveis da pequenada, tal como a higiene infantil. Veja mais em saúde e crescimento.

Perguntas frequentes

Como saber se o meu filho é daltónico?

Só uma avaliação feita por um profissional o pode dizer. Se a criança troca sempre as mesmas cores, fale com o médico de família ou com o pediatra, que decide se deve ser feito um teste de visão das cores.

Posso fazer um teste de daltonismo infantil online?

Pode encontrá-los, mas não substituem a avaliação presencial. O NHS sublinha que, havendo dúvidas, deve ser feita uma avaliação presencial: o ecrã, a luz e a idade da criança mudam o resultado.

Com que idade se pode fazer o teste de Ishihara?

O teste clássico pede que a criança leia números, o que depende de conhecer os algarismos. Para crianças mais pequenas, o profissional escolhe a forma de avaliar adequada à idade.

O daltonismo tem cura?

Não, segundo a entrada da Wikipédia sobre daltonismo. A maioria das pessoas adapta-se bem, e o diagnóstico precoce permite à escola e à família adaptar a forma de ensinar.

As raparigas também podem ser daltónicas?

Podem, mas é muito menos frequente. A Wikipédia estima cerca de 8 % nos homens e, para as mulheres, dá dois valores em secções diferentes, 0,5 % (em pessoas com ascendência no norte da Europa) e 1 %; é muito mais raro nelas porque o daltonismo mais comum está ligado ao cromossoma X.