«Não quero ir para a escola»: o que fazer quando a criança resiste

Quase todas as crianças o dizem numa manhã ou outra. Quando passa a ser todos os dias, com dores de barriga e choro à porta, vale a pena perceber o que se passa e combinar um plano com a escola.

Ilustração em aguarela: nos degraus da escola, a mãe agachada dá um abraço de despedida a uma menina de mochila amarela, enquanto a professora, à porta aberta, estende a mão para a receber e outras crianças entram.
Ilustração: desenho explicativo, não uma fotografia.

Uma manhã de «não quero ir para a escola» depois das férias ou de um fim de semana bom é normal. Outra coisa é a recusa que se repete, com queixas físicas, choro e negociações diárias. Este artigo é informação geral: não substitui a conversa com o pediatra nem com a escola, que conhecem o seu filho. Não faz diagnósticos.

O que pode estar por trás da recusa

A Academia Americana de Pediatria (AAP) chama a isto evitamento escolar e descreve crianças que resistem a ir para a escola, se queixam de sintomas vagos e muitas vezes não sabem explicar porquê. Segundo a AAP, as dores de cabeça, de barriga, as náuseas ou as tonturas aparecem sobretudo nos dias de escola e costumam desaparecer ao fim de semana.

Entre as causas que a mesma página enumera estão:

Nos mais pequenos, a separação dos pais também pesa. Para a entrada no 1.º ano há um guia próprio sobre como preparar a criança para a escola primária.

Primeiro passo: excluir uma doença

A AAP sugere começar por uma consulta: o médico pode excluir uma doença física e ajudar a perceber as pressões que a criança sente. Se as queixas se repetem, marque consulta com o pediatra ou o médico de família antes de concluir que «é só da escola».

Como falar com a criança

Escolha um momento calmo, longe da pressa da manhã: a hora do banho ou a conversa antes de dormir.

Em vez deExperimente
«Não há razão nenhuma para teres medo.»«Parece que a escola anda a custar-te. O que é que custa mais?»
«Toda a gente gosta da escola.»«Há alguma parte do dia que gostavas de saltar?»
«Se não fores, ficas de castigo.»«Vamos pensar juntos no que pode tornar amanhã mais fácil.»

Ouça sem corrigir logo. A AAP recomenda falar sobre as razões e procurar soluções em conjunto.

Manter a ida à escola, com apoio

A mesma página da AAP diz que, quanto mais tempo a criança fica em casa, mais difícil se torna o regresso. Por isso recomenda reconhecer a preocupação e, ao mesmo tempo, manter a ida à escola. Na prática:

  1. Manhãs previsíveis. A mesma sequência todos os dias, com a mochila feita na véspera. Menos decisões, menos espaço para negociar.
  2. Despedida curta. Um ritual breve à porta, um abraço e uma frase combinada, e sair. Despedidas longas costumam aumentar a angústia.
  3. Regresso por etapas, se for preciso. Quando a ansiedade é intensa, a AAP descreve um regresso gradual, combinado com a escola: primeiro aproximar-se da escola, depois parte do dia, depois o dia inteiro.
  4. Dias em casa sem prémio. Se a criança fica em casa por estar doente, deve estar confortável, mas sem ecrãs nem programas especiais que tornem o dia mais apetecível do que a escola.

Rotinas claras ajudam também em casa: as regras para crianças em casa e o guia sobre como estabelecer regras com as crianças dão ideias para manhãs e noites com menos atrito.

Falar com a escola

A escola vê o recreio, a sala e a cantina. Peça uma conversa com o educador, o professor titular ou o diretor de turma e conte o que observa em casa. Pergunte como está a criança durante o dia, se tem com quem brincar e se houve alguma mudança.

Combine um plano: quem a recebe à chegada e o que fazer se se queixar de dores. Se a criança falar de ser gozada, empurrada ou excluída, diga-o à escola logo nesse dia, porque pode tratar-se de bullying e a escola tem de saber.

Sinais para falar com o pediatra e com a escola

Fale com o pediatra ou o médico de família, e informe a escola, se:

Se a criança disser que se quer magoar, ou houver uma situação de perigo, procure ajuda de imediato: em emergência ligue 112; para aconselhamento, a linha SNS 24, 808 24 24 24.

Mais temas sobre escola e comportamento na secção de educação e comportamento.

Perguntas frequentes

É normal uma criança dizer que não quer ir para a escola?

Numa manhã ou outra, sim. O que merece atenção é a recusa que se repete, com choro e queixas físicas.

Devo deixar o meu filho ficar em casa quando chora?

A AAP explica que, quanto mais tempo a criança fica em casa, mais difícil é o regresso. Reconheça o que sente, mantenha a ida à escola e combine apoio com os professores. Se houver queixas físicas, fale com o pediatra.

As dores de barriga antes da escola são fingidas?

Não necessariamente. A AAP descreve sintomas reais ligados à ansiedade, que a criança não controla. Só o pediatra pode excluir uma doença, por isso vale a pena uma consulta.

Com quem devo falar na escola?

Com o educador ou o professor titular, e no 2.º ciclo com o diretor de turma. Conte o que vê em casa, pergunte como está a criança durante o dia e combine um plano comum.

E se a recusa for por causa de bullying?

Diga-o à escola no mesmo dia e peça uma reunião. Ouça a criança com calma, sem a incentivar a responder com violência, e guarde mensagens ou provas, se existirem.