Como trabalhar a autoestima da criança: o que os pais podem fazer
A autoestima não se dá com elogios a tudo. Constrói-se quando a criança se sente aceite, tem tarefas à sua medida, consegue resolver problemas e aprende que errar faz parte.

Uma criança com boa autoestima não é a que acha que faz tudo bem. É a que se sente aceite como é, acredita que consegue aprender o que ainda não sabe e não desaba com um erro. Este artigo é informação geral: não substitui a consulta com o pediatra ou o médico de família, que conhecem o seu filho.
O que é a autoestima, em poucas palavras
A Academia Americana de Pediatria (AAP), na página sobre autoestima saudável nas crianças, lida a 2 de outubro de 2026, define-a como a forma como nos vemos a nós próprios e diz que tem um papel central na motivação, nos resultados escolares, nas relações e na capacidade de recuperar de contrariedades. Segundo a AAP, é moldada pelo que a criança pensa e sente sobre as suas capacidades e pela forma como é vista e tratada pelos pais, professores e amigos.
A AAP enumera doze pilares que a sustentam. Agrupámo-los em cinco frentes práticas para casa.
1. Aceitação: «pertences aqui»
A criança precisa de se sentir aceite e amada, primeiro na família e depois nos amigos, na escola, numa equipa. Na prática:
- tempo a sós com cada filho, mesmo curto, sem ecrãs;
- interesse genuíno pelo que lhe interessa, mesmo que não interesse aos pais;
- críticas dirigidas ao comportamento, nunca à pessoa: «isso que fizeste magoou» em vez de «és mau».
A AAP refere que as famílias que se saem melhor se concentram nas qualidades de cada um, evitam a crítica excessiva e mostram afeto.
2. Elogiar o esforço, não só o resultado
A AAP recomenda elogiar não só a meta atingida mas também o esforço, reconhecer pequenas melhorias e dar o retorno o mais cedo possível. O elogio genérico («és o maior») vale pouco; o concreto ensina.
| Em vez de | Experimente |
|---|---|
| «És tão inteligente!» | «Tentaste três maneiras até dar certo.» |
| «Que desenho lindo.» | «Usaste muitas cores no céu. Conta-me o que é.» |
| «Bom trabalho.» | «Esperaste pela tua vez no jogo, e não foi fácil.» |
3. Responsabilidades à medida
Para a AAP, a criança deve ter oportunidades de mostrar o que é capaz de fazer, assumir tarefas sem ser vigiada a toda a hora e contribuir de forma significativa. Também avisa contra os dois extremos: proteger demais torna a criança dependente; expectativas tão altas que nunca as atinge fazem-na sentir-se incapaz.
Tarefas adequadas à idade, como pôr a mesa ou cuidar de uma planta, servem exatamente para isto. A entrada numa escola nova, como na entrada da escola primária, é outro momento em que a autonomia treinada em casa faz diferença.
4. Escolhas reais
A criança sente-se com mais controlo quando pode tomar ou influenciar decisões que considera importantes, desde que adequadas à idade e aos valores da família, diz a AAP. Ofereça escolhas verdadeiras entre opções que aceita: a camisola azul ou a verde, a história antes ou depois do banho, que fruta levar no lanche.
Limites claros não prejudicam a autoestima; dão segurança. As estratégias de disciplina positiva mostram como manter regras sem humilhar. E nos momentos de frustração intensa, o guia sobre como lidar com as birras ajuda a responder sem envergonhar a criança.
5. Errar sem desabar
A AAP recomenda explicar que os erros fazem parte de viver e aprender, dar um retorno construtivo e reconhecer o esforço. Sugere também que os pais partilhem os próprios erros e mostrem como seguem em frente.
- Quando algo corre mal, nomeie o sentimento: «estás desiludido».
- Pergunte o que poderia fazer diferente da próxima vez.
- Conte um erro seu e o que aprendeu.
- Volte a tentar, juntos, se fizer sentido.
As mudanças, como o regresso às aulas, põem à prova esta capacidade. Preparar a criança para o que vem reduz o medo de falhar.
O que fragiliza a autoestima
- Comparações com irmãos ou colegas.
- Alcunhas e gozo, mesmo «a brincar».
- Fazer tudo pela criança para evitar que falhe.
- Críticas constantes e elogios só quando há resultados.
- Promessas não cumpridas: a AAP liga a confiança a cumprir o que se promete.
Sinais para falar com o pediatra
Fale com o pediatra ou o médico de família se a criança diz muitas vezes que não é capaz ou que não gosta de si, se anda triste ou isolada, se deixou de querer fazer o que gostava, se desiste de tudo à primeira dificuldade, ou se há sinais de que alguém a goza ou exclui. Se a criança falar em magoar-se, procure ajuda no mesmo dia: pediatra, médico de família, linha SNS 24 (808 24 24 24) ou, em emergência, 112. Mais temas na secção de educação e comportamento.
Perguntas frequentes
Como trabalhar a autoestima de uma criança em casa?
Com aceitação, elogio do esforço, responsabilidades à medida da idade, escolhas reais e uma forma serena de lidar com os erros. São ideias que a AAP descreve como pilares da autoestima.
Elogiar demasiado faz mal à autoestima?
O elogio genérico e constante perde valor. A AAP recomenda elogiar o esforço e as pequenas melhorias, de forma concreta e próxima do momento.
Os limites prejudicam a autoestima da criança?
Não. Regras claras e consistentes dão segurança. O que prejudica é a humilhação, a crítica à pessoa em vez do comportamento e as comparações.
Como ajudar uma criança que diz «não sou capaz»?
Valide o sentimento, divida a tarefa em passos pequenos e reconheça cada avanço. Se a frase se repete muito ou vem com tristeza e isolamento, fale com o pediatra.
Com que idade se começa a trabalhar a autoestima?
Desde muito cedo, porque a AAP diz que a autoestima se desenvolve primeiro na família. As formas mudam com a idade, mas a aceitação e o encorajamento valem sempre.