Como estabelecer regras para crianças que funcionam em casa

Uma regra só funciona se a criança a perceber, a vir todos os dias e souber o que acontece quando a quebra. Sete passos para criar as regras da sua casa, com um quadro de exemplo.

Ilustração em aguarela: à mesa de jantar, dois adultos seguram uma grande folha onde duas crianças desenham e pintam com lápis de cera o quadro de regras da casa, feito só de imagens: mãos dadas, brinquedos a entrar numa caixa, a família à mesa, uma cama com uma escova de dentes e um livro aberto.
Ilustração: desenho explicativo, não uma fotografia.

As regras dão às crianças o que elas mais procuram: previsibilidade. Saber o que se pode, o que não se pode e o que acontece a seguir torna o dia mais calmo para todos. A Academia Americana de Pediatria (AAP) põe «definir limites» entre as bases da disciplina positiva: regras claras e consistentes, explicadas em termos que a criança entende para a idade que tem.

Este guia trata do método, ou seja, como escolher, escrever e manter as regras. Para uma lista pronta a adaptar, veja as 10 regras que muitos pais impõem aos filhos.

7 passos para criar regras que funcionam

1. Escolher poucas

Três a cinco regras chegam para começar. Escolha-as por ordem de importância: primeiro a segurança, depois o respeito pelos outros, depois as rotinas da casa. Uma lista de vinte regras ninguém a cumpre, nem os adultos.

2. Escrever pela positiva

A AAP sugere, desde cedo, linguagem positiva: dizer «Hora de sentar» em vez de «Não te ponhas de pé». A regra diz o que fazer, não só o que evitar.

Em vez deEscreva
Não se grita.Falamos com voz calma.
Não se bate.Mãos e pés são para brincar, não para magoar.
Não deixes tudo espalhado.Quando acabamos, arrumamos.
Não comas no sofá.Comemos à mesa.

3. Explicar o porquê, uma vez

«Damos a mão na rua porque os carros não nos veem.» O NHS nota que as crianças não precisam de saber falar para compreender, e que ajuda perceberem porque lhes pedimos uma coisa. Uma explicação curta chega; a regra não se renegoceia a cada vez.

4. Combinar a consequência antes

A consequência deve estar ligada à regra e ser conhecida de antemão: «Se a bola for atirada dentro de casa, fica guardada até amanhã.» A AAP pede que se cumpra logo e com calma, e que nunca se tire algo de que a criança precisa, como uma refeição.

5. Pôr as regras à vista

Um quadro de regras no frigorífico ou no quarto, com desenhos para quem ainda não lê. A AAP refere que um quadro ou lista visível funciona como lembrete e dá à criança a sensação de ter cumprido.

6. Rever em família

Uma reunião curta ao domingo: o que correu bem, que regra está difícil, o que muda. Com crianças mais velhas, a AAP sugere pedir-lhes que proponham regras e consequências: o que elas próprias sugerem é cumprido com mais vontade.

7. Todos os adultos iguais

O NHS insiste que todas as pessoas próximas da criança devem lidar com o comportamento da mesma forma. Se a mãe diz não e o pai diz sim, a regra deixa de existir.

Regras para crianças por idade

A tabela é uma orientação nossa; cada criança tem o seu ritmo.

Idade aproximadaComo formularExemplos
2 e 3 anosuma ideia por regra, com gesto ou desenho«Damos a mão na rua.» «Comemos sentados.»
4 e 5 anosregra curta e o porquê«Arrumamos antes de jantar, para os brinquedos não se perderem.»
6 a 10 anosregra combinada e consequência escrita«Trabalhos de casa antes dos ecrãs; se não, o tablet fica para amanhã.»

Exemplo de quadro de regras

As regras da nossa casa

  1. Falamos com respeito, mesmo quando estamos zangados.
  2. Mãos e pés são para brincar, não para magoar.
  3. Quando acabamos de brincar, arrumamos.
  4. Comemos à mesa, todos juntos.
  5. Antes de dormir: dentes, pijama e uma história.

Uma regra como a última junta rotina e prazer, e é uma das formas mais simples de criar o hábito da leitura; há mais ideias em como criar uma criança que adora ler.

Quando as regras não são cumpridas

Testar uma regra nova é normal: a criança quer saber se é a sério. Mantenha a consequência sem gritos, elogie quando a regra é cumprida e espere uns dias antes de concluir que não resulta. Para o que fazer no momento do conflito, veja as estratégias de disciplina positiva.

Se as manhãs de escola são o campo de batalha, o problema pode ser outro: a criança que diz «não quero ir para a escola» precisa de ser ouvida antes de ser apressada. Mais temas em educação e comportamento.

Perguntas frequentes

Quantas regras deve ter uma criança?

Não há um número certo. Começar com três a cinco, as mais importantes, torna mais fácil cumpri-las todas. Acrescente outras quando as primeiras estiverem automáticas.

A partir de que idade se podem dar regras?

Desde muito cedo, adaptadas à idade. A AAP sugere que, com bebés, se use linguagem positiva e se guarde o «não» para o que é importante, como a segurança.

O que fazer quando a criança não cumpre as regras?

Aplique a consequência combinada, com calma e sem sermão, e elogie a próxima vez que a regra for cumprida. Se nunca há consequência, a regra deixa de existir.

As regras devem ser iguais para todos os irmãos?

As regras de segurança e respeito, sim. As de horários e responsabilidades podem variar com a idade; explique aos mais novos que também chegarão lá.

Como fazer um quadro de regras para crianças?

Escreva poucas regras pela positiva, numa folha grande, com desenhos para quem ainda não lê. Faça-o com a criança, cole-o à altura dos olhos dela e reveja-o em família de vez em quando.