Os 5 erros mais comuns na educação dos filhos e como corrigi-los

Nenhum destes erros faz de alguém mau pai ou má mãe: são os deslizes que quase todas as famílias cometem. O que há de bom é que cada um tem uma alternativa simples.

Ilustração em aguarela: com o casaco e a mala ainda junto à porta de entrada, o pai senta-se no tapete da sala e segue a brincadeira do filho pequeno, que lhe aponta onde pôr as peças da pista de comboio de madeira; o telemóvel ficou pousado na mesa de apoio.
Ilustração: desenho explicativo, não uma fotografia.

Educar é decidir dezenas de vezes por dia, muitas delas cansado e com pressa. Errar faz parte. Os cinco erros abaixo foram escolhidos porque são frequentes e porque as fontes pediátricas que consultámos, a Academia Americana de Pediatria (AAP) e o NHS britânico, explicam o que fazer em vez deles.

Este artigo é informação geral: não substitui a consulta com o pediatra ou o médico de família, que conhecem o seu filho.

Erro 1: mudar as regras conforme o dia

Hoje o sofá é para saltar, amanhã é motivo de castigo. O NHS é direto: as crianças precisam de consistência, e reagir de uma forma num dia e de outra no dia seguinte confunde-as. O mesmo vale entre adultos: todos os que estão próximos da criança devem lidar com o comportamento da mesma forma.

Em vez disso: poucas regras, as mesmas todos os dias, combinadas entre os adultos da casa. Uma lista de regras para os filhos colada no frigorífico ajuda toda a gente a lembrar-se.

Erro 2: só reparar quando a criança se porta mal

Quando a criança brinca sossegada, aproveitamos para fazer outra coisa; quando se porta mal, recebe toda a nossa atenção. A AAP explica que isto costuma sair ao contrário: a atenção dada ao mau comportamento aumenta-o, porque se torna uma forma de a conseguir.

Em vez disso: dê muita atenção ao que corre bem, com elogios concretos («Obrigado por teres esperado enquanto eu falava ao telefone»). A AAP sugere também brincar uns minutos com a criança, deixando-a escolher e conduzir a brincadeira, sobretudo ao chegar a casa.

Quando aconteceAtenção que costuma receberAtenção que devia receber
Brinca sossegadanenhumaum elogio, um toque no ombro
Choraminga por um doceuma discussão longapouca, desde que esteja segura
Arruma sem pedirnenhuma«Reparei! Obrigado.»

Erro 3: gritar ou bater quando a paciência acaba

A AAP diz que gritar e envergonhar uma criança são ineficazes e prejudiciais, e que a disciplina verbal dura, mesmo em pais carinhosos, pode levar a mais mau comportamento. Quanto às palmadas, a mesma academia recomenda que os pais não batam.

Em vez disso: baixar a voz, aproximar-se e falar ao nível dos olhos da criança. Quando é o adulto que está no limite, a AAP sugere uma pausa para ele próprio, com a criança num sítio seguro. Há sete ideias concretas para esse momento em alternativas às palmadas.

Erro 4: dar o prémio antes, ou ceder para acabar com a birra

«Se ficares quieto, dou-te um chocolate» parece uma recompensa, mas o NHS chama-lhe outra coisa: um prémio dado antes de a criança fazer o que lhe pediram é um suborno. E mudar o «não» para «sim» a meio de uma birra ensina que as birras funcionam.

Em vez disso: decida antes e mantenha. A recompensa vem depois do comportamento, e a melhor é muitas vezes atenção: um abraço, um sorriso, um «estou orgulhoso de ti».

Erro 5: pedir mais do que a idade permite

Esperar que uma criança de 3 anos fique quieta num jantar longo, ou que uma de 5 arrume o quarto inteiro sem ajuda, é preparar um conflito. A AAP lembra que as crianças têm grandes diferenças de temperamento e desenvolvimento, e que o que é «normal» depende da fase de cada uma. Sobre as tarefas, aconselha não esperar perfeição e elogiar o esforço, não o resultado.

Em vez disso: ajuste o pedido à criança que tem à frente, divida as tarefas em passos pequenos e fale muito com ela. Conversar muito com ela também conta; há ideias em formas de potenciar o vocabulário da criança.

E quando o erro já aconteceu

A AAP dá um conselho que vale para todos os outros: se reagiu mal no calor do momento, espere até acalmar, peça desculpa à criança, explique como vai fazer da próxima vez e cumpra. É assim que a criança aprende, pelo exemplo, que os erros se reparam.

Se sente que não consegue sair destes padrões, fale com o médico de família ou o pediatra: pedir ajuda é uma decisão de bom senso, não um fracasso. Mais temas em educação e comportamento e outras ideias e conselhos para pais.

Perguntas frequentes

Qual é o erro mais comum na educação dos filhos?

Entre os que as fontes pediátricas mais referem está a inconsistência: regras que mudam conforme o dia ou conforme o adulto. O NHS diz que as crianças precisam de consistência para perceber o que se espera delas.

Gritar com os filhos faz mal?

A AAP considera gritar e envergonhar ineficazes e prejudiciais, e associa a disciplina verbal dura a mais problemas de comportamento. Toda a gente grita às vezes; o que conta é não ser essa a forma habitual de educar.

Recompensar o bom comportamento é errado?

Não. Recompensar depois do comportamento é útil; o erro é dar o prémio antes, que o NHS considera um suborno. Elogio e atenção costumam ser a melhor recompensa.

Devo pedir desculpa ao meu filho?

Sim, quando errou. A AAP aconselha pedir desculpa depois de um erro no calor do momento e explicar como vai fazer da próxima vez. É um exemplo de como se repara um erro.

Como saber se estou a exigir demais?

Se o conflito se repete sempre na mesma tarefa, talvez ela seja grande demais para a idade. Divida-a em passos e elogie o esforço. Se a dúvida é sobre o desenvolvimento da criança, o pediatra é quem pode responder.