16 factos sobre o comportamento infantil, do 1 ano à idade escolar

Dezasseis factos que ajudam a perceber o que se passa com a criança, cada um com a fonte que o diz: da Direção-Geral da Saúde à Organização Mundial da Saúde, passando pela pediatria americana e britânica.

Ilustração em aguarela: um bebé de babygrow às riscas, de pé apoiado numa estante baixa com peluches, argolas de empilhar e livros, explora a sala enquanto a mãe o observa sentada no tapete; o vaso e o jarro estão na prateleira de cima e o móvel tem trancas de segurança nas portas.
Ilustração: desenho explicativo, não uma fotografia.

Muito do que preocupa os pais no comportamento das crianças é, afinal, esperado para a idade. Reunimos dezasseis factos, sobretudo dos primeiros anos, e em cada um dizemos de onde vem. Este artigo é informação geral: não substitui a consulta com o pediatra ou o médico de família, que conhecem o seu filho, e nenhum destes factos serve para avaliar a criança em casa.

O comportamento infantil a partir de 1 ano

1. Cada criança tem o seu ritmo. O Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil da Direção-Geral da Saúde (Norma n.º 010/2013) diz que a ordem em que surgem as novas capacidades é constante, mas que a velocidade de passagem de uma fase à seguinte varia de criança para criança.

2. Compreender vem antes de falar. O NHS, o serviço de saúde britânico, lembra que as crianças não precisam de saber falar para compreender, e que ajuda explicar-lhes porque lhes pedimos uma coisa, como dar a mão ao atravessar a rua.

3. O «não» gasta-se. A Academia Americana de Pediatria (AAP) aconselha guardar o «não» para o mais importante, como a segurança, e afastar do alcance o que é perigoso ou tentador, para precisar de o dizer menos.

4. Ecrãs, só mais tarde. Nas recomendações de 2019 da Organização Mundial da Saúde para menores de 5 anos, o tempo sedentário de ecrã não é recomendado para crianças de 1 ano.

5. Bater num bebé é ainda mais arriscado. A AAP refere que o castigo corporal em crianças com menos de 18 meses aumenta a probabilidade de lesões físicas.

Birras, morder e bater

6. As birras começam cedo. Segundo o NHS, costumam começar por volta dos 18 meses e são muito comuns nas crianças pequenas.

7. O pico é entre 1 e 3 anos. A página da AAP sobre birras diz que acontecem sobretudo nessa idade e tendem a melhorar depois dos 3, sem desaparecer por completo.

8. Palavras reduzem birras. O NHS explica que muitas birras nascem da frustração de não se conseguir exprimir, e que, quando a criança fala mais, tem menos birras.

9. Morder não prevê violência. O NHS diz que a maioria das crianças pequenas morde, bate ou empurra de vez em quando, muitas vezes sem perceber que magoa, e que isso não significa que vá crescer agressiva.

10. Castigar um bebé não ensina. A AAP escreve que, até aos 3 anos e às vezes depois, as crianças não percebem a ideia de castigo, e que definir limites com calma resulta melhor. É também por isso que a teimosia infantil se gere com escolhas e rotinas, mais do que com castigos.

Atenção, castigos e mudanças

11. A atenção alimenta o comportamento. A AAP explica que dar atenção ao mau comportamento tende a aumentá-lo, e que a melhor forma de o melhorar é dar muita atenção quando a criança faz o que queremos. Há formas práticas de o fazer nas estratégias de disciplina positiva.

12. As mudanças notam-se no comportamento. O NHS aponta o nascimento de um irmão, uma mudança de casa ou de quem cuida da criança como mudanças que podem tornar o comportamento mais difícil, mesmo quando parecem pequenas aos adultos.

13. Os castigos físicos não compensam. A Organização Mundial da Saúde (OMS) resume a evidência: prejudicam a saúde física e mental, aumentam os problemas de comportamento ao longo do tempo e não têm resultados positivos.

14. Os mais pequenos não escapam. A mesma ficha da OMS diz que as crianças de 2 a 4 anos são tão expostas a castigos físicos como as de 5 a 14, e nalguns países mais.

O que muda ao crescer

15. Brincar com outros vem com o tempo. Na escala de desenvolvimento do Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil, aos 2 anos aparece «Fala sozinho(a) enquanto brinca» e aos 4 «Gosta de brincar com crianças da sua idade» e «Sabe esperar pela sua vez». É um instrumento para os profissionais de saúde, não uma lista para avaliar em casa; esperar pela vez é, aliás, uma das regras de etiqueta para crianças que se treinam a brincar.

16. O medo do escuro é comum. A AAP descreve o medo de ficar sozinho no escuro como um medo comum na infância, e diz que a maioria dos medos é ligeira e passa com tempo, apoio e tranquilidade. Pede também que os pais não ridicularizem os medos da criança.

Quando falar com o pediatra

Nenhum destes factos é uma regra para decidir se deve esperar. Se alguma coisa no comportamento ou no desenvolvimento do seu filho o preocupa, fale com o pediatra ou o médico de família: a própria norma da DGS reconhece que muitas dificuldades são identificadas a partir da suspeita dos pais. Mais temas em educação e comportamento e na página inicial.

Perguntas frequentes

Como é o comportamento infantil com 1 ano?

É sobretudo exploração: a criança compreende mais do que diz e testa tudo. A AAP sugere linguagem positiva, guardar o «não» para a segurança e afastar o que é perigoso. Cada criança tem o seu ritmo.

As birras com 1 ano são normais?

O NHS diz que as birras costumam começar por volta dos 18 meses, e a AAP situa o pico entre 1 e 3 anos. Se algo o preocupa, fale com o pediatra.

Uma criança de 1 ano percebe um castigo?

Segundo a AAP, até aos 3 anos e às vezes depois, as crianças não percebem a ideia de castigo. Distrair e afastar do perigo resulta melhor.

O meu filho de 2 anos morde. Devo preocupar-me?

O NHS diz que morder e bater são comuns nos primeiros anos e não querem dizer que a criança vá ser agressiva. Se há lesões ou a situação o deixa sem saber o que fazer, fale com o pediatra.

Porque é que o título fala em 16 factos?

Porque são dezasseis, todos com fonte nomeada. Preferimos menos factos verificáveis a uma lista longa de curiosidades que ninguém consegue confirmar.