7 alternativas às palmadas para os momentos mais difíceis

A palmada para o comportamento naquele segundo e deixa o resto por ensinar. Eis o que dizem a pediatria, a OMS e o Código Penal, e sete coisas que pode fazer no lugar dela.

Ilustração em aguarela: num corredor, um menino ajoelhado limpa com uma esponja os rabiscos de lápis de cera que fez na parede, e a mãe, ajoelhada atrás dele, ajuda com um pano; no chão estão uma taça com água e sabão e um tabuleiro com os lápis arrumados.
Ilustração: desenho explicativo, não uma fotografia.

Quase todos os pais já sentiram a mão a fugir. Perceber porque é que as palmadas não resultam, e ter um plano para esse momento, é o que permite fazer diferente da próxima vez. Este artigo é informação geral: não substitui a consulta com o pediatra ou o médico de família, que conhecem o seu filho, e não é aconselhamento jurídico.

Porque é que as palmadas não ensinam

A Organização Mundial da Saúde (OMS) resume a evidência assim: os castigos corporais prejudicam a saúde física e mental das crianças, aumentam os problemas de comportamento ao longo do tempo e não têm resultados positivos. A mesma ficha diz que todo o castigo corporal, por mais leve, traz um risco de escalada.

A Academia Americana de Pediatria (AAP) recomenda que os pais não batam, não ameacem, não insultem nem humilhem. Entre as razões que dá:

O NHS diz o mesmo de forma simples: a palmada pode parar o que a criança está a fazer naquele momento, mas não tem efeito positivo duradouro, e bater ensina que bater é aceitável.

O que diz a lei em Portugal

A Lei n.º 59/2007, de 4 de setembro, que alterou o Código Penal, passou a nomear expressamente os «castigos corporais» entre os maus-tratos: no artigo 152.º (violência doméstica) e no artigo 152.º-A (maus-tratos), que abrange quem tem ao seu cuidado, guarda ou educação uma pessoa menor e lhe inflige maus-tratos físicos ou psíquicos, «incluindo castigos corporais».

Lemos o texto publicado em 2007; o Código Penal pode ter sido alterado depois, por isso confirme a versão em vigor no Diário da República. Não reproduzimos penas nem dizemos o que constitui crime num caso concreto: essa leitura é de um jurista.

As 7 alternativas

1. Parar e separar

Se a criança está a magoar alguém ou em perigo, pare o gesto com o corpo, sem bater: segure-lhe as mãos, afaste-a, ponha-se entre as duas crianças. «Não deixo que batas. Vou segurar-te até acalmares.»

2. Uma pausa para o adulto

A AAP lembra que os adultos também podem fazer uma pausa: deixe a criança num sítio seguro, respire, beba água, ligue a alguém. Volte quando estiver calmo. Uma decisão tomada a ferver raramente é boa.

3. Dizer o que fazer, não só o que não fazer

«Para!» diz pouco. «Os pés ficam no chão», «a bola é para o quintal», «fala-me com voz baixa» dão à criança uma saída.

4. Uma consequência ligada ao ato

Se riscou a parede, ajuda a limpar. Se atirou o brinquedo, o brinquedo vai para a prateleira até amanhã. A consequência faz sentido para a criança porque nasce do que ela fez.

5. Nomear a emoção

O NHS sugere frases como «Sei que estás zangado porque…». Nomear ajuda a criança a reconhecer o que sente e a dizê-lo da próxima vez, em vez de o mostrar com as mãos.

6. Reparar

Pedir desculpa conta, mas reparar ensina mais: fazer um desenho para o irmão, apanhar o que caiu, ajudar a arrumar. A criança aprende que um erro se corrige.

7. Planear o momento crítico

Repare em que momentos perde a paciência; muitas vezes são os mesmos, como a pressa da manhã, o fim do dia ou o supermercado. Mude o que puder nesses momentos: roupa preparada na véspera, lanche no carro, menos ecrãs ao fim da tarde (há ideias em como evitar que as crianças vejam demasiada televisão).

MomentoEm vez da palmada
Bate no irmãoseparar, «não deixo que batas», reparar
Foge na ruasegurar com firmeza, explicar o perigo, mão dada obrigatória
Desobedece pela terceira vezconsequência avisada, cumprida sem gritos
Os pais estão no limitepausa para o adulto, criança em segurança

E se já deu uma palmada?

Acontece, e não faz de ninguém mau pai ou má mãe. A AAP sugere que, depois de um erro no calor do momento, o adulto espere até acalmar, peça desculpa à criança e explique como vai fazer da próxima vez. É também uma lição: os adultos erram e reparam.

Fases de mudança deixam muitas crianças mais difíceis, como a entrada na escola primária ou o regresso às aulas depois das férias; o NHS lista as mudanças na vida da criança entre o que afeta o comportamento. Para outros deslizes comuns, veja os erros que os pais cometem na educação dos filhos e todos os artigos de educação e comportamento.

Se sente que perde o controlo com frequência, fale com o médico de família: pedir ajuda é uma forma de proteger o seu filho.

Perguntas frequentes

As palmadas são proibidas em Portugal?

Desde a Lei n.º 59/2007, o Código Penal inclui expressamente os castigos corporais nos crimes de violência doméstica e de maus-tratos. Para a redação em vigor e para um caso concreto, consulte o Diário da República ou um jurista.

Uma palmada leve faz mal?

A OMS diz que todo o castigo corporal, por mais leve, traz risco de escalada e não tem resultados positivos. A AAP associa as palmadas a mais agressividade e desafio no futuro.

O que fazer quando a criança bate?

Parar o gesto sem bater de volta, separar, dizer com calma que não deixa e, depois, reparar. Bater de volta ensina exatamente o contrário do que pretende.

Gritar é uma boa alternativa?

Não. A AAP inclui a disciplina verbal dura entre o que é ineficaz e prejudicial. Baixar a voz e falar perto da criança costuma resultar melhor.

Os castigos sem palmadas funcionam?

Uma consequência ligada ao que aconteceu, avisada antes e cumprida com calma, ensina. Humilhar, ameaçar ou assustar não: a OMS e a AAP põem essas formas ao lado do castigo físico.