Obesidade infantil: porque não há um «peso ideal» por idade e como o peso é avaliado

Uma tabela com o peso certo aos 4 ou aos 8 anos seria simples, mas não serve a nenhuma criança em concreto. Eis como o médico avalia o crescimento e o que ajuda em casa.

Ilustração em aguarela: uma família passa a tarde num parque, um pai a passear de mão dada com o filho pequeno e uma mãe a andar de bicicleta ao lado de outra criança. Em primeiro plano, numa manta de piquenique, duas garrafas de água reutilizáveis, uma taça com maçãs, laranjas e bananas e um pão às fatias.
Ilustração: desenho explicativo, não uma fotografia.

Quem procura um «peso ideal para cada idade infantil» procura uma tabela, e esta página não a tem. Não existe um peso certo para uma idade: existe a trajetória de crescimento de cada criança, acompanhada ao longo do tempo pelo médico. O guia da DGS «Alimentação Saudável dos 0 aos 6 anos» diz-o claramente: as crianças não são todas iguais, nem na forma como crescem, e não devem ser comparadas.

Este artigo é informação geral: não substitui a consulta com o pediatra ou o médico de família, que conhecem o seu filho. Não publica tabelas de peso nem valores de corte de percentis: a interpretação das curvas é do médico.

Como o médico avalia o peso de uma criança

Segundo a página «Crescimento infantil» do SNS 24, em cada consulta de vigilância o médico analisa o ritmo de crescimento através de três medidas: o peso, o comprimento ou a altura e, nos primeiros dois anos, o perímetro da cabeça. Ao longo do tempo calcula também o índice de massa corporal (IMC), que permite perceber se a criança tem excesso de peso ou obesidade. Todos estes valores ficam registados nas curvas do Boletim de Saúde Infantil e Juvenil.

Porque é que a trajetória importa mais do que o número

O guia da DGS insiste que, mais do que o valor absoluto do IMC, importa interpretar a sua trajetória ao longo dos anos. Cada criança tem o seu próprio padrão de crescimento, ligado à herança genética, e o que merece atenção são desvios inesperados desse padrão, por exemplo quando a criança muda de curva de forma persistente.

O mesmo guia explica que o IMC muda naturalmente ao longo da infância, com um aumento fisiológico por volta dos 5 a 6 anos. Por isso as tabelas de «peso ideal», sem altura, sem sexo e sem histórico, dizem pouco sobre uma criança real.

Quando falar com o médico

O SNS 24 diz que as crianças com excesso de peso e obesidade devem, em primeiro lugar, ser avaliadas pelo médico assistente, que decide se são precisas análises, mudanças na alimentação e na atividade física, ou outro acompanhamento. Se tem dúvidas sobre o peso ou o crescimento do seu filho, marque uma consulta com o pediatra ou o médico de família. O mesmo texto do SNS 24 enumera, entre as complicações da obesidade infantil:

Se reconhece alguma destas situações no seu filho, fale nisso na consulta.

Leve o Boletim de Saúde Infantil e Juvenil.

O que se sabe sobre a obesidade infantil

O SNS 24, citando a DGS, refere que 1 em cada 3 crianças vive com excesso de peso ou obesidade, e descreve a doença como multifatorial, com causas genéticas, ambientais e endócrinas. Entre os fatores que podem ser mudados, a mesma página lista:

Fator modificável (SNS 24)O que a família pode fazer
alimentação desadequadarefeições a horas, sopa, fruta, menos processados
bebidas com açúcarágua como bebida de todos os dias
sedentarismobrincar ao ar livre, andar a pé, bicicleta
pouco sono ou horários irregularesrotina de deitar e acordar
tempo excessivo de ecrãlimites claros, ecrãs fora das refeições

O SNS 24 lembra também que a obesidade pode trazer problemas psicossociais, como bullying, baixa autoestima ou ansiedade.

O que ajuda em casa (e o que não ajuda)

A página do SNS 24 sobre obesidade infantil dá medidas de prevenção para toda a família: não usar a comida como prémio ou castigo, horários regulares, porções pequenas sem obrigar a criança a comer, sopa no início das refeições, doces e bebidas açucaradas guardados para dias especiais, pequeno-almoço todos os dias e mais atividade ao ar livre.

O que não ajuda é pôr a criança «de dieta» por conta própria. O SNS 24 atribui a prevenção sobretudo aos pais, e a DGS lembra que as crianças aprendem por imitação: as mudanças fazem mais sentido quando são da família inteira. Para começar:

Mais temas em alimentação.

Perguntas frequentes

Qual é o peso ideal para uma criança de 5 anos?

Não há um peso ideal único. O médico compara o peso e o IMC da criança com as curvas da OMS para a mesma idade e sexo e, sobretudo, acompanha a sua trajetória ao longo do tempo.

Como se calcula o IMC de uma criança?

Divide-se o peso em quilos pela altura em metros ao quadrado. Numa criança, o resultado só tem significado comparado com as curvas para a idade e o sexo, leitura que cabe ao médico.

Onde encontro as curvas de crescimento do meu filho?

No Boletim de Saúde Infantil e Juvenil, onde o médico regista o peso, a altura e o IMC em cada consulta, como explica o SNS 24.

A partir de que percentil uma criança tem excesso de peso?

Esta página não publica valores de corte. A classificação faz-se na consulta, com as curvas da OMS e a história da criança, e não deve ser feita em casa.

Devo pôr o meu filho de dieta?

Não por iniciativa própria. O SNS 24 diz que a criança com excesso de peso deve ser avaliada primeiro pelo médico assistente, que orienta o que mudar. Em casa, mudanças para toda a família são o ponto de partida.