Bullying nas crianças: como reconhecer e como agir

Não é uma brincadeira entre colegas nem uma fase que passa sozinha. O que distingue o bullying de um conflito, os sinais em casa, o que dizer à criança e os passos com a escola.

Ilustração em aguarela: vistos de costas, um pai e uma filha de mochila amarela estão sentados num banco de jardim, debaixo de uma árvore; a menina fala e gesticula enquanto o pai se inclina para a ouvir, com a mão no ombro dela, e ao fundo vê-se um baloiço e um escorrega.
Ilustração: desenho explicativo, não uma fotografia.

Este artigo é informação geral: não substitui a conversa com a escola, com o pediatra ou com um psicólogo, que conhecem o seu filho. Não serve para concluir que uma criança é vítima ou agressora; serve para saber o que observar, como ouvir e a quem pedir ajuda. Se a criança estiver em perigo físico, ligue 112.

O que é o bullying infantil

A página «Prevenção do bullying» da SNS 24, cuja fonte é a DGS, define-o como «uma forma de violência que corresponde a comportamentos agressivos, intencionais e repetidos, exercidos por uma criança, jovem, ou grupo […] contra outra que não tem possibilidades de se defender». A mesma página destaca duas características: o desequilíbrio de poder entre quem agride e quem é agredido, e a repetição dos comportamentos.

É isto que o distingue de uma zanga entre amigos: duas crianças que discutem em pé de igualdade estão em conflito; uma criança gozada ou posta de parte todos os dias pelo mesmo grupo é vítima de bullying.

FormaExemplos
FísicaEmpurrar, bater, pontapear, estragar ou esconder objetos
VerbalAlcunhas, insultos, gozo, ameaças
SocialExcluir das brincadeiras, espalhar boatos, pôr os outros contra a criança
Online (ciberbullying)Mensagens, fotografias ou vídeos humilhantes, ameaças por telemóvel ou jogos

As três primeiras formas são as que a Academia Americana de Pediatria (AAP) descreve na sua página sobre o bullying e o que os pais podem fazer; o ciberbullying vem descrito na mesma página.

Sinais a que os pais podem estar atentos

As crianças muitas vezes não contam, por vergonha ou medo. A AAP lista sinais possíveis e lembra que podem ter outras causas. Não são um diagnóstico; são motivo para uma conversa sem julgamentos:

Como falar com a criança

A SNS 24 aconselha os pais a falar abertamente sobre o assunto, a ouvir com atenção e calma, e a não incentivar a vingança, porque a violência nunca é solução.

  1. Escolha um momento calmo e comece por uma pergunta aberta: «Como é o recreio? Com quem brincas?»
  2. Ouça até ao fim, sem interromper nem minimizar. «Não ligues» faz a criança sentir que não vale a pena contar.
  3. Diga-lhe que a culpa não é dela e que fez bem em contar.
  4. Não prometa segredo. Explique que vai falar com a escola para a proteger.
  5. Treinem respostas, como a AAP sugere: olhar nos olhos, dizer com voz firme «para», afastar-se com calma e contar a um adulto de confiança.

O papel da escola

A SNS 24 recomenda marcar uma reunião com o diretor de turma ou o psicólogo da escola. No 1.º ciclo, fale com o professor titular. Leve por escrito datas e factos, e pergunte o que a escola vai fazer. Se nada mudar, peça uma reunião com a direção do agrupamento.

Ciberbullying: guardar as provas

Para ameaças de publicar conteúdos privados, a SNS 24 aconselha bloquear o agressor e contar rapidamente a um adulto, e diz que se podem procurar as autoridades de segurança, por exemplo a Escola Segura. A mesma página sublinha que não se devem apagar as mensagens e conversas, porque podem servir de prova em tribunal.

A quem pedir ajuda

Se a criança falar em magoar-se ou em não querer viver, procure ajuda no mesmo dia: o pediatra, o médico de família, a linha SNS 24 (808 24 24 24) ou o 112.

E se for o meu filho a agredir?

É difícil de ouvir, mas acontece. A AAP recomenda agir logo: explicar o que é o bullying e porque é errado, pôr limites firmes e consistentes, dar o exemplo de respeito pelos outros e elogiar os gestos de bondade. As regras de etiqueta que as crianças devem saber começam precisamente no respeito pelos outros. Se o comportamento se repete, peça ajuda à escola e ao pediatra. Para entender melhor o comportamento infantil em geral, e a diferença entre feitio e teimosia, há outros guias na secção de educação e comportamento.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre bullying e uma briga entre crianças?

Segundo a SNS 24, o bullying é intencional, repetido e acontece com desequilíbrio de poder, contra uma criança que não se consegue defender. Uma discussão pontual entre iguais é um conflito, não bullying.

Como saber se o meu filho sofre de bullying?

Esteja atento a mudanças: medo de ir à escola, dores frequentes, objetos estragados, isolamento, sono agitado. Estes sinais podem ter outras causas; são motivo para conversar com calma e falar com a escola.

O que devo fazer primeiro?

Ouvir a criança com calma, dizer-lhe que fez bem em contar e marcar uma reunião com o professor ou o diretor de turma. Não a incentive a responder com violência.

Devo falar com os pais da outra criança?

É melhor passar pela escola, que tem meios para intervir e mediar. Um confronto direto entre famílias pode piorar a situação.

Há alguma linha de apoio para crianças vítimas de bullying?

Sim. A Linha SOS Criança é o 116 111, gerida pelo Instituto de Apoio à Criança. Em perigo imediato, ligue 112.