O desenvolvimento típico de uma criança de 2 anos
Correr, juntar duas palavras, virar uma página de cada vez: eis o que a escala usada nos centros de saúde portugueses descreve aos 2 anos, contado como a DGS o escreve e sem o transformar num teste para fazer em casa.

Aos 2 anos há uma consulta de vigilância de saúde infantil, e nela o médico de família ou o pediatra avalia o desenvolvimento com uma escala própria. Este artigo mostra o que essa escala descreve, que sinais a Direção-Geral da Saúde (DGS) manda valorizar e o que os pais podem fazer no dia a dia.
Este artigo é informação geral: não substitui a consulta com o pediatra ou o médico de família, que conhecem o seu filho. Também não é uma lista para avaliar a criança em casa: os itens abaixo são observados por um profissional, com material próprio, e só fazem sentido no conjunto.
Cada criança tem o seu ritmo
O Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil (PNSIJ, Norma n.º 010/2013 da DGS, lido a 2 de outubro de 2026) diz-o sem rodeios: a ordem em que as capacidades aparecem é constante, mas «a velocidade de passagem de um estádio a outro varia de uma criança para outra». E acrescenta, para os profissionais, que «os limites do normal são extraordinariamente amplos».
Duas crianças de 2 anos saudáveis podem estar em pontos muito diferentes, sobretudo na fala.
O que a escala da DGS descreve aos 2 anos
O PNSIJ usa a Escala de Avaliação do Desenvolvimento de Mary Sheridan Modificada. Para a coluna dos 2 anos, o Quadro 3 do programa regista o seguinte, por área:
| Área | O que a escala descreve aos 2 anos |
|---|---|
| Postura e motricidade global | «Corre.» «Sobe e desce com os dois pés o mesmo degrau.» |
| Visão e motricidade fina | «Constrói torre de 6 cubos.» «Imita rabisco circular.» «Gosta de ver livros.» «Vira uma página de cada vez.» |
| Audição e linguagem | «Diz o primeiro nome.» «Fala sozinho(a) enquanto brinca.» «Junta duas ou mais palavras, construindo frases curtas.» «Nomeia objetos.» |
| Comportamento e adaptação social | «Coloca o chapéu e os sapatos.» «Usa bem a colher.» «Bebe por um copo e coloca-o no lugar sem entornar.» |
As notas explicativas da mesma escala (Quadro 5) acrescentam dois pormenores que costumam tranquilizar os pais. Aos 2 anos, a «linguagem pode ser incompreensível, mesmo pelos familiares». E a brincadeira típica é o «jogo paralelo»: a criança «brinca junto de outras crianças mas não com elas».
O que mais se vê na consulta dos 2 anos
Além do desenvolvimento e da linguagem, o PNSIJ prevê nesta idade a observação dos dentes, da visão e do estado vacinal. O rastreio de saúde visual infantil do SNS 24 destina-se a todas as crianças que fazem 2 anos inscritas nos cuidados de saúde primários e que não são seguidas em oftalmologia, e repete-se entre os 4 e os 5 anos.
O programa lista ainda temas a conversar com os pais, como o «desmame da chupeta», a ansiedade de separação, o infantário e o controlo dos esfíncteres.
Sinais de alarme: quando falar com o médico
O Quadro 4 do PNSIJ lista os sinais de alarme da coluna dos 2 anos. São estes, tal como estão escritos:
- «Não anda sozinho(a).»
- «Deita os objetos fora.»
- «Não constrói nada.»
- «Não parece compreender o que se lhe diz.»
- «Não pronuncia palavras inteligíveis.»
- «Não se interessa pelo que está em seu redor.»
- «Não estabelece contacto.»
- «Não procura imitar.»
- «Tem estrabismo.»
Se reconhece algum destes sinais, ou se há outra coisa que o preocupa, fale com o médico de família ou com o pediatra, sem esperar pela consulta seguinte. O próprio programa pede aos profissionais que valorizem «as suspeitas e preocupações veiculadas espontaneamente pelos pais».
Como estimular no dia a dia
O PNSIJ inclui uma lista de «atividades promotoras do desenvolvimento» para os 2 anos. Resumida, fica assim:
- brincadeiras de correr, saltar e pular, para a coordenação;
- tintas para mexer e desenhar, e materiais com texturas diferentes;
- histórias, puzzles e jogos de faz de conta;
- pequenas tarefas do dia a dia em que a criança ajuda;
- ajudar a pronunciar palavras «pelo estímulo positivo», sem corrigir de forma ríspida;
- deixar a criança dizer o que quer, mantendo os limites.
Em casa, isto é nomear o que se faz enquanto se cozinha, reler o livro preferido, deixar a criança tirar os sapatos sozinha. É também a idade certa para começar alguns hábitos de higiene que ficam para a vida.
E nos anos seguintes
O desenvolvimento não para aos 2 anos, e a escala do PNSIJ continua. Veja o que descreve para a criança de 3 anos, para o menino ou menina de 4 anos e para o desenvolvimento infantil aos 5 anos, ou percorra todos os artigos de saúde e crescimento.
Perguntas frequentes
O meu filho de 2 anos ainda não junta palavras. É normal?
A escala da DGS descreve «junta duas ou mais palavras» aos 2 anos, mas cada criança tem o seu ritmo e não há uma regra que diga até quando esperar. Se está preocupado, fale com o médico de família ou com o pediatra.
É normal não se perceber o que uma criança de 2 anos diz?
As notas da escala do PNSIJ dizem que, aos 2 anos, a linguagem «pode ser incompreensível, mesmo pelos familiares». Entre os sinais de alarme está, isso sim, não pronunciar palavras inteligíveis ou não parecer compreender o que se lhe diz.
Quando é a consulta de saúde infantil dos 2 anos?
Os 2 anos são uma das idades-chave do PNSIJ, entre os 18 meses e os 3 anos. O programa diz que estas idades «não são rígidas».
Posso usar a escala da DGS para avaliar o meu filho em casa?
Não é para isso. A escala é aplicada por profissionais, com material próprio, e um item isolado não diz nada. Leve antes à consulta o que observa em casa.
Que brincadeiras ajudam uma criança de 2 anos a desenvolver-se?
As que o PNSIJ sugere: correr e saltar, pintar, explorar texturas, histórias, puzzles, faz de conta e pequenas tarefas de casa.