Como evitar que as crianças vejam demasiada televisão
A televisão, o tablet e o telemóvel entram na rotina quase sem se dar por isso. O que dizem as recomendações oficiais, onde não há número nenhum, e como pôr limites que se cumprem.

Ver televisão não é, em si, um problema. O problema é quando os ecrãs ocupam o tempo de brincar, de conversar, de mexer o corpo e de dormir. Este artigo é informação geral: não substitui a conversa com o pediatra ou o médico de família, que conhecem o seu filho. Aqui se fala de televisão, mas o mesmo vale para tablets, telemóveis e consolas: em Portugal diz-se «ecrãs» para todos.
O que dizem as recomendações
A referência mais citada é a da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicada a 24 de abril de 2019 com as diretrizes para crianças com menos de 5 anos (consultadas a 2 de outubro de 2026):
| Idade | Recomendação da OMS (2019) para tempo de ecrã sedentário |
|---|---|
| Menos de 1 ano | Não recomendado |
| 1 ano | Não recomendado |
| 2 anos | No máximo 1 hora por dia; menos é melhor |
| 3 e 4 anos | No máximo 1 hora por dia; menos é melhor |
A mesma página da OMS acrescenta que, nos momentos sedentários, se encoraja a leitura e a narração de histórias com quem cuida da criança.
Para crianças a partir dos 5 anos, esta página não indica um número. A Pequenada não encontrou uma recomendação numérica da DGS nem da Sociedade Portuguesa de Pediatria, e não conseguiu verificar o texto da OMS para essas idades. Fica a orientação geral: os ecrãs não devem tirar lugar ao sono, à atividade física, à escola e à vida em família. A página da SNS 24 sobre obesidade infantil inclui o «tempo excessivo de ecrã» entre os fatores que se podem mudar.
Ecrãs e sono
A página «Sono na criança» da SNS 24 aconselha a evitar os equipamentos eletrónicos pelo menos 30 minutos a 1 hora antes de deitar e, de preferência, a não os manter no quarto. É das regras mais simples de aplicar e das que mais se notam: a televisão desliga-se antes do banho, e o quarto fica sem ecrãs.
Regras que funcionam em casa
- Combine antes, não durante. As regras sobre ecrãs discutem-se num momento calmo, não quando a criança está a meio de um episódio.
- Dê forma ao tempo. Para os mais pequenos, «um episódio» percebe-se melhor do que «meia hora». Avise antes do fim: «depois deste, desligamos».
- Defina zonas sem ecrã. A mesa das refeições e o quarto são os mais óbvios.
- Não deixe a televisão ligada como fundo. Uma televisão sempre ligada rouba atenção à brincadeira e à conversa, mesmo quando ninguém está a ver.
- Primeiro as obrigações. Em dias de escola, os trabalhos de casa e a arrumação vêm antes.
- Veja com a criança. Escolher juntos o que ver e comentar o programa transforma tempo passivo em conversa.
- Dê o exemplo. Os pais ao telemóvel durante o jantar ensinam mais do que qualquer regra.
O que pôr no lugar da televisão
Cortar ecrãs sem alternativa deixa um vazio que a criança enche a pedir a televisão de volta. Tenha à mão:
- uma caixa de materiais de desenho e recortes;
- jogos de tabuleiro e cartas simples;
- livros à vista, numa cesta na sala;
- tarefas em que a criança ajuda de verdade, como pôr a mesa ou regar as plantas;
- tempo ao ar livre, todos os dias que for possível.
O aborrecimento não é um problema a resolver depressa. É muitas vezes o que antecede uma brincadeira inventada.
Quando a criança protesta
Os primeiros dias de regras novas costumam trazer protestos. Mantenha a regra com calma, sem negociar a cada pedido, e ofereça uma alternativa concreta. Evite usar a televisão como recompensa ou castigo para tudo: torna-a ainda mais desejada. E se o conflito aumentar, lembre-se de que gritos e palmadas não ajudam; o guia sobre as alternativas às palmadas tem respostas para esses momentos.
As férias desarrumam quase sempre o tempo de ecrã. O guia para preparar o regresso às aulas sugere repor as regras uma semana antes de as aulas começarem.
Sinais para falar com o pediatra
Fale com o pediatra ou o médico de família se os ecrãs estão a afetar o sono, a alimentação ou o humor da criança, se ela fica muito agitada ou zangada quando são desligados, se deixou de brincar com outras crianças ou se o tempo de ecrã está a afetar a escola. Mais temas na secção de educação e comportamento.
Perguntas frequentes
Quanto tempo de televisão pode ver uma criança de 2 anos?
A OMS, nas diretrizes de 2019, recomenda que aos 2 anos o tempo de ecrã sedentário não passe de 1 hora por dia, e diz que menos é melhor. Antes dos 2 anos, a OMS não recomenda tempo de ecrã sedentário.
E uma criança de 6 ou 8 anos?
Para essas idades não indicamos um número: não encontrámos uma recomendação numérica verificada da DGS, da Sociedade Portuguesa de Pediatria ou da OMS. Proteja o sono, a atividade física e a vida em família, e fale com o pediatra se tiver dúvidas.
A televisão antes de dormir faz mal?
A SNS 24 aconselha a evitar os equipamentos eletrónicos pelo menos 30 minutos a 1 hora antes de deitar e a não os ter no quarto.
Os desenhos animados educativos contam como tempo de ecrã?
Contam. Podem ter bons conteúdos, mas continuam a ser tempo sentado em frente a um ecrã. Ver com a criança e conversar sobre o programa ajuda a tirar mais proveito.
Como reduzir a televisão sem birras?
Combine as regras com antecedência, avise antes de desligar, ofereça alternativas concretas e mantenha a regra com calma. Os protestos costumam diminuir quando a regra é sempre a mesma.