Como ajudar as crianças a ultrapassar o medo do escuro

O escuro assusta muitas crianças, sobretudo na idade da imaginação e dos monstros debaixo da cama. Eis o que dizem as fontes de saúde, o que costuma ajudar ao deitar e os sinais de que vale a pena falar com o médico.

Ilustração em aguarela: no quarto, ao fim da tarde, uma criança de pijama sentada na cama ao colo da mãe aponta uma lanterna à parede, onde aparece a sombra de um coelho, e ri-se; na cadeira ao canto está pendurado um casaco, há um coelho de peluche na almofada, uma luz de presença em forma de estrela na mesa de cabeceira e a porta entreaberta.
Ilustração: desenho explicativo, não uma fotografia.

O medo do escuro aparece muitas vezes por volta da idade em que a imaginação ganha força, e pode transformar o deitar numa negociação de todas as noites. Não é um capricho: para a criança, o medo é real.

Este artigo é informação geral: não substitui a consulta com o pediatra ou o médico de família, que conhecem o seu filho. Não diagnostica fobias nem perturbações de ansiedade: se o medo é muito intenso, isso avalia-se com um profissional.

Porque é que as crianças têm medo do escuro

A Academia Americana de Pediatria (AAP), na página HealthyChildren sobre medos na infância (atualizada em setembro de 2023, lida a 2 de outubro de 2026), dá o medo de estar sozinho no escuro como exemplo de um medo comum da infância. Acrescenta que a maioria dos medos infantis é ligeira e que, com tranquilização e apoio, costuma desaparecer por si ao fim de algum tempo.

O Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil da DGS liga, aos 3 anos, os medos ao «pensamento mágico» e lista «medos, terrores nocturnos e pesadelos» entre os temas a conversar com os pais nessa idade. Nesta fase, a fronteira entre o que se imagina e o que existe ainda é ténue.

O que ajuda, ao deitar

1. Leve o medo a sério

A AAP pede para não desvalorizar nem ridicularizar os medos da criança, e o PNSIJ diz o mesmo para os 5 e 6 anos: «não ridicularizar os presumíveis medos /pesadelos /fobias». Frases como «isso é uma parvoíce» não fazem o medo desaparecer; só ensinam a criança a escondê-lo.

2. Uma luz suave é permitida

A página «Sono na criança» do SNS 24 diz que o quarto deve ser sereno e escuro, mas que é «aceitável haver luz muito suave para crianças com medo do escuro». Uma luz de presença, uma porta entreaberta com a luz do corredor ou um candeeiro com temporizador resolvem muitas noites.

3. Uma rotina sempre igual

O PNSIJ aconselha, aos 3 anos, «conduzir os rituais de sono de forma regrada». A previsibilidade acalma: banho, pijama, dentes, história, boa-noite, pela mesma ordem e à mesma hora.

PassoPorque ajuda
História com luz baixaA transição para o escuro faz-se aos poucos
Objeto de transiçãoO SNS 24 refere um boneco, a chucha ou uma manta como ajuda para os mais pequenos
Boa-noite curto e igualA criança sabe o que vem a seguir

4. Conheça o quarto às escuras, de dia

Brinque às sombras chinesas com uma lanterna, procure «monstros» com a criança e mostre que o vulto na cadeira é o casaco. Feito como jogo, durante o dia ou ao fim da tarde, tira mistério ao quarto.

5. Ecrãs e histórias assustadoras longe do deitar

O SNS 24 aconselha evitar equipamentos eletrónicos pelo menos 30 minutos a 1 hora antes de deitar.

6. Pequenos passos, elogio grande

Se hoje a porta fica toda aberta, amanhã pode ficar meio aberta. Elogie a coragem, não a ausência de medo: «Ficaste no quarto mesmo com medo. Isso é ser corajoso.»

O que evitar

Pesadelos e terrores noturnos

Este medo anda muitas vezes de mãos dadas com os pesadelos. Segundo a página HealthyChildren sobre pesadelos, os pesadelos tendem a ser mais frequentes entre os 3 e os 12 anos, e a melhor resposta é confortar a criança. Os terrores noturnos são diferentes: acontecem sobretudo em crianças pequenas e em idade pré-escolar, e a criança muitas vezes não acorda nem se lembra deles. Se não tem a certeza de qual é qual, descreva o episódio ao pediatra.

Quando falar com o pediatra

O PNSIJ lista, entre os sinais de alerta da consulta dos 5 anos, a «ansiedade, preocupações ou medos excessivos» e as «dificuldades em adormecer, pesadelos muito frequentes». Fale com o pediatra ou o médico de família se o medo impede a criança de dormir noite após noite, se se alarga a outras situações do dia, se os pesadelos são muito frequentes, ou simplesmente se isso o preocupa. É uma das perguntas que os pais devem fazer ao pediatra.

Se a criança ainda adormece com chupeta, os truques para o desmame da chupeta ajudam a não juntar duas mudanças ao mesmo tempo. Mais temas em saúde e crescimento e na página inicial.

Perguntas frequentes

O medo do escuro é normal nas crianças?

Sim. A AAP dá o medo de estar sozinho no escuro como exemplo de um medo comum da infância, e diz que a maioria destes medos é ligeira e passa com apoio.

Devo deixar uma luz acesa no quarto?

Pode. O SNS 24 diz que é aceitável uma luz muito suave, mantendo o quarto sereno.

Com que idade passa o medo do escuro?

Não há uma idade fixa, e cada criança tem o seu ritmo. A AAP diz que, com tranquilização e apoio, os medos infantis costumam desaparecer ao fim de algum tempo.

Medo do escuro e fobia do escuro são a mesma coisa?

Não necessariamente. Um medo comum passa com apoio; um medo excessivo, que limita a vida da criança, é um sinal de alerta para o PNSIJ e deve ser avaliado pelo médico.

O que fazer quando a criança acorda com um pesadelo?

Confortá-la, segundo a AAP. Fique com ela até acalmar, fale baixo e ajude-a a voltar a adormecer no próprio quarto, se for possível.