10 motivos para controlar o açúcar na alimentação das crianças

Não se trata de proibir o bolo de anos. Trata-se de perceber de onde vem o açúcar que as crianças comem todos os dias e porque é que a OMS e a DGS pedem que seja pouco.

Ilustração em aguarela: um rapaz, de costas, lancha à mesa da cozinha um copo de água, uma laranja, uma taça de iogurte e uma tosta com queijo. Ao fundo, num aparador, um bolo de anos decorado espera debaixo de uma campânula de vidro, ao lado de chapéus de festa empilhados.
Ilustração: desenho explicativo, não uma fotografia.

Quem procura «crianças de açúcar» pode estar a pensar em duas coisas. Uma é a série fotográfica Sugar Children («Crianças do Açúcar»), em que o artista Vik Muniz fotografou filhos de trabalhadores de uma plantação de açúcar em St. Kitts, segundo a entrada sobre Vik Muniz na Wikipédia. A outra é a pergunta que traz a maioria dos pais: quanto açúcar é demais para uma criança, e porquê. É dessa que este artigo trata.

Este artigo é informação geral: não substitui a consulta com o pediatra ou o médico de família, que conhecem o seu filho. Não propõe dietas nem contagem de gramas para uma criança concreta.

O que a OMS recomenda

Em 2015, a Organização Mundial da Saúde recomendou que adultos e crianças reduzam os açúcares livres para menos de 10 % da energia diária. Baixar para menos de 5 % traria benefícios adicionais, mas essa segunda meta é uma recomendação condicional, com evidência menos forte.

Como se trata de uma percentagem da energia, o valor em gramas muda com a idade e o apetite de cada criança. Não há um número único que sirva a todas.

10 motivos para controlar o açúcar

1. Os dentes

A OMS explica que a recomendação se apoia em taxas mais altas de cárie dentária quando os açúcares livres passam dos 10 %. O guia da DGS «Alimentação Saudável dos 0 aos 6 anos» também aponta os sumos e refrigerantes como risco de cárie.

2. O peso

Segundo a mesma nota da OMS, as crianças que mais bebem bebidas açucaradas têm mais probabilidade de ter excesso de peso ou obesidade. O SNS 24 inclui o consumo de bebidas com açúcar entre os fatores modificáveis da obesidade infantil.

3. O apetite para a comida a sério

O guia da DGS descreve os sumos e refrigerantes como «anorexiantes»: tiram o apetite para os alimentos saudáveis. Um pacote de sumo a meio da tarde pode explicar um jantar recusado.

4. O açúcar que não se vê

A OMS lembra que muito do açúcar consumido está «escondido» em alimentos processados que não parecem doces, e dá o exemplo do ketchup, com cerca de 4 g de açúcares livres por colher de sopa. Ler os rótulos de bolachas, cereais de pequeno-almoço e iogurtes aromatizados ajuda a encontrá-lo.

5. Portugal parte de longe

Na mesma nota, a OMS refere que o açúcar livre representava quase 25 % da energia nas crianças portuguesas, o valor mais alto entre os países europeus que a nota cita.

6. Sumo não é fruta

Os açúcares dos sumos, mesmo naturais, contam como açúcares livres para a OMS. A fruta inteira não conta, e por isso é a sobremesa e o lanche que a DGS recomenda.

7. O mel também é açúcar

Para a OMS, o açúcar do mel é açúcar livre, como o do açucareiro. E antes do primeiro ano o mel fica de fora: o guia da DGS exclui-o da diversificação alimentar e o NHS britânico pede que não seja dado antes de 1 ano.

8. O doce como prémio ensina a regra errada

O SNS 24 pede que a comida não seja usada como prémio ou castigo, e o guia da DGS desaconselha subornar a criança com doces para comer, porque a predispõe a esperar o suborno na refeição seguinte.

9. Os hábitos ficam

A DGS descreve os 3 aos 6 anos como uma janela única para aprender hábitos alimentares, que tendem a acompanhar a pessoa até à idade adulta. Um paladar habituado a pouco açúcar é um ponto de partida para a vida.

10. Os dias de festa voltam a ser especiais

O SNS 24 sugere guardar os doces e as bebidas açucaradas para dias especiais, e a DGS deixa os sumos como exceção para dias de festa. Quando o bolo não é diário, o bolo de anos volta a ser uma festa.

Como reduzir sem guerra

Em vez deExperimente
sumo ao lancheágua e uma peça de fruta
iogurte aromatizadoiogurte natural com fruta esmagada
bolachas recheadaspão com queijo ou fruta
doce como recompensaum passeio, uma história, um jogo

Envolver os miúdos na cozinha também ajuda: quem cozinha com as crianças vê-as provar coisas novas com outra vontade. E se a resistência à mesa é o problema maior, leia as dicas para crianças que não querem comer e a nossa resposta sobre se vale a pena obrigar as crianças a comer. Mais temas em alimentação infantil.

Perguntas frequentes

Quanto açúcar pode comer uma criança por dia?

A OMS recomenda menos de 10 % da energia diária em açúcares livres, e idealmente menos de 5 %. Como é uma percentagem, o valor em gramas depende da idade e das necessidades de cada criança; o pediatra pode ajudar a traduzi-lo.

O açúcar da fruta faz mal?

A OMS não inclui o açúcar da fruta fresca inteira nos açúcares livres, porque não encontrou efeitos adversos. Os sumos, mesmo naturais, já contam.

O mel é uma alternativa saudável ao açúcar?

Não para a OMS: o açúcar do mel é açúcar livre. Além disso, o mel não deve ser dado antes de 1 ano, segundo o guia da DGS e o NHS.

Os sumos naturais são melhores do que os de pacote?

Têm mais vitaminas do que um néctar, mas a DGS lembra que o sumo perde a fibra da fruta, e o seu açúcar conta como livre. A água é a bebida de todos os dias.

O que são as «Crianças do Açúcar» de Vik Muniz?

É uma série do artista Vik Muniz, que fotografou filhos de trabalhadores de uma plantação de açúcar em St. Kitts e refez os retratos com açúcar sobre papel, segundo a Wikipédia.