Como participar nas brincadeiras do seu filho
Brincar com uma criança parece fácil até se tentar: o adulto organiza, corrige, acelera, e a brincadeira deixa de ser dela. Eis como entrar no jogo sem lhe tirar o comando.

Muitos pais sentem que não sabem brincar, ou que brincar com o filho é mais uma tarefa num dia já cheio. A boa notícia é que a participação que as crianças mais valorizam é simples: um adulto atento, no chão, ao nível delas, a seguir as suas regras durante algum tempo. Não é preciso material especial nem horas livres.
Porque vale a pena brincar com o seu filho
Ao brincar, a criança experimenta papéis, inventa regras, negoceia, perde e ganha. Quando um adulto entra no jogo, ela sente-se vista. A Organização Mundial da Saúde, nas suas recomendações de 2019 para crianças com menos de 5 anos, recomenda para as crianças de 3 e 4 anos pelo menos 180 minutos por dia em atividades físicas variadas, das quais pelo menos 60 de intensidade moderada a vigorosa, e incentiva a leitura e as histórias contadas com um adulto nos momentos parados. Brincar juntos ajuda a cumprir as duas coisas.
Cinco regras para entrar no jogo
1. Deixe a criança liderar
Pergunte «a que vamos brincar?» e aceite a resposta. Se ela diz que o sofá é um barco, o sofá é um barco. O seu papel é seguir, não ensinar.
2. Descreva em vez de perguntar
Em vez de uma série de perguntas («que cor é essa?», «quantos são?»), comente o que vê: «estás a fazer uma torre muito alta», «o dinossauro está zangado». A criança sente atenção sem ter de responder a um teste.
3. Aceite o papel que lhe dão
Se lhe calha ser o cliente da loja, o paciente ou o monstro, faça-o com gosto. Exagere as vozes. As crianças adoram ver um adulto a fazer figuras.
4. Guarde o telemóvel
Dez minutos de atenção total valem mais do que uma hora meio distraída. Ponha o telemóvel noutra divisão enquanto brincam.
5. Saia do jogo com aviso
Quando tiver de parar, avise: «brincamos mais cinco minutos e depois vou fazer o jantar». A transição corre melhor quando é anunciada.
Ideias por idade
| Idade aproximada | Brincadeiras em que um adulto entra facilmente |
|---|---|
| 2 a 3 anos | encher e esvaziar caixas, jogo das escondidas simples, bolas, imitar sons de animais |
| 3 a 5 anos | faz de conta (loja, médico, cozinha), construções, fantoches, dançar |
| 5 a 7 anos | jogos de tabuleiro simples, cabanas de mantas, caças ao tesouro, jogos tradicionais |
| 7 a 10 anos | jogos de cartas, construções mais complexas, desportos no parque, inventar histórias a dois |
Com os mais crescidos, deixe-os ensinar-lhe um jogo que já sabem. Ser o aluno é uma forma ótima de participar.
Como arranjar tempo num dia cheio
- Dez minutos fixos por dia, sempre à mesma hora, com o nome que a criança escolher («o nosso tempo»).
- Transformar tarefas em jogo: arrumar a cantar, pôr a mesa como num restaurante. Há mais ideias destas nas estratégias para manhãs mais rápidas com crianças.
- A história na cama conta como brincar: mudar o final, inventar personagens, deixar a criança contar. Pode ser também o momento que ajuda a dormir na própria cama.
- O fim de semana é bom para uma brincadeira mais longa ao ar livre.
O que evitar
- Transformar a brincadeira numa aula.
- Ganhar sempre, ou deixar ganhar sempre: um equilíbrio ensina mais.
- Corrigir o «erro» de uma brincadeira de faz de conta: um cavalo verde pode existir.
- Acabar o jogo de forma brusca.
E se o seu filho não quer brincar consigo?
Algumas crianças preferem brincar sozinhas, e isso também é importante. Sente-se perto, sem interferir; muitas vezes acabam por convidar o adulto a entrar. Datas como o Dia da Criança dão boas ideias de brincadeiras de outros países: veja como o Dia da Criança é celebrado pelo mundo.
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Perguntas frequentes
Como brincar com o meu filho se não tenho jeito?
Deixe-o liderar e siga as regras dele. Descrever o que ele faz e aceitar o papel que lhe dá chega para ser um ótimo parceiro de brincadeira.
Quanto tempo devo brincar com o meu filho por dia?
Não há um número fixo para brincar com os pais. Dez minutos de atenção total, todos os dias, já fazem diferença.
É mau a criança brincar sozinha?
Não. Brincar sozinho desenvolve a imaginação e a autonomia. O ideal é haver as duas coisas: tempo sozinho e tempo com um adulto.
Devo deixar o meu filho ganhar nos jogos?
Às vezes. Ganhar sempre desanima a criança, deixá-la ganhar sempre não a prepara para perder. Com os mais pequenos, prefira jogos de cooperação.
Que brincadeiras fazer com uma criança de 2 anos?
Encher e esvaziar caixas, esconder objetos, rolar bolas, imitar sons de animais e dançar. Brincadeiras curtas, repetidas muitas vezes.