Como reduzir os conflitos entre pais e filhos

Discutir faz parte de crescer, e os conflitos entre pais e filhos na adolescência são dos mais intensos. O objetivo não é acabar com eles, mas discutir melhor e com menos frequência.

Ilustração em aguarela: um pai e um filho adolescente caminham lado a lado num parque de outono, a conversar com calma enquanto o rapaz leva o cão pela trela, entre árvores de folhas vermelhas e amarelas e um banco de jardim.
Ilustração: desenho explicativo, não uma fotografia.

Os conflitos entre pais e filhos mudam com a idade. Aos 4 anos discute-se a hora do banho; aos 9, os trabalhos de casa e os ecrãs; aos 14, a hora de chegar, os amigos e a privacidade. O que se mantém é o padrão: muitas vezes, a discussão é menos sobre o assunto e mais sobre quem decide.

Este artigo é informação geral: não substitui a consulta com o médico de família ou com um psicólogo, que conhecem a sua família. Não faz diagnósticos e não serve para situações de violência: se alguém estiver em perigo, ligue 112.

Porque é que pais e filhos discutem

O que ajuda, em qualquer idade

Escolher o momento

Uma conversa difícil corre mal no meio de uma discussão. Diga «vamos falar disto depois do jantar» e cumpra. Com adolescentes, conversas lado a lado (no carro, a cozinhar, a passear o cão) costumam correr melhor do que frente a frente.

Ouvir até ao fim

Deixe o filho acabar a frase antes de responder. Repita o que ouviu: «estás a dizer que achas injusto teres de chegar mais cedo do que os teus amigos». Sentir-se ouvido não é o mesmo que ter razão, mas baixa logo o tom.

Falar do comportamento, não da pessoa

«Deixaste a loiça na banca outra vez» em vez de «és um desleixado». Rótulos colam-se, e um filho que ouve que é preguiçoso tende a comportar-se como tal.

Negociar o que é negociável

Não se negoceiaPode negociar-se
Segurança (cinto, capacete, saber onde está)hora de chegada, dentro de limites
Respeito: sem insultos nem agressõestarefas de casa e quando se fazem
Escolatempo e regras dos ecrãs
Sono suficienteroupa, cabelo, decoração do quarto

Com crianças mais velhas e adolescentes, escrever as regras combinadas evita o «nunca disseste isso».

Reparar depois

Todos os pais gritam um dia. O que ensina é o que vem depois: «ontem falei-te mal, desculpa». Pedir desculpa não tira autoridade; mostra como se corrige um erro. Uma criança também pode fazê-lo por escrito, e uma carta para os pais é por vezes mais fácil do que dizer em voz alta.

Cuidar de si

Pais exaustos discutem mais. As dicas para ser um pai mais descontraído ajudam a ganhar alguma margem.

Conflito entre pai e filha, mãe e filho

As discussões não são iguais com todos os filhos, e às vezes um dos pais choca mais com um deles, muitas vezes por serem parecidos. Vale a pena o outro adulto mediar de vez em quando, sem tomar partido, e cada pai ter tempo a sós com cada filho, a fazer coisas de que ambos gostam.

Um filme visto em conjunto sobre uma família em conflito pode ajudar a começar a conversa: falar do que fizeram as personagens é mais fácil do que falar de si.

Quando pedir ajuda

Procure ajuda, começando pelo médico de família ou pelo psicólogo da escola, se:

Para aconselhamento de saúde não urgente, a linha SNS 24 atende pelo 808 24 24 24. As crianças e os jovens podem também ligar para a Linha SOS Criança, 116 111, gerida em Portugal pelo Instituto de Apoio à Criança. Em perigo imediato, ligue 112.

Mais temas na secção Família e em todos os guias da Pequenada.

Perguntas frequentes

Como reduzir conflitos entre pais e filhos?

Escolha o momento para as conversas difíceis, ouça até ao fim, fale do comportamento e não da pessoa, negocie o que é negociável e peça desculpa quando exagerar.

É normal haver conflitos entre pais e filhos na adolescência?

Discutir mais na adolescência é frequente, porque os filhos procuram autonomia. Se as discussões forem constantes, violentas ou vierem com isolamento e tristeza, peça ajuda ao médico de família ou ao psicólogo da escola.

O que fazer quando o meu filho adolescente não fala comigo?

Procure conversas lado a lado, sem interrogatórios, e mostre interesse pelo que lhe interessa a ele. Se o silêncio vier com tristeza ou isolamento, fale com o médico de família.

Como resolver um conflito entre pai e filha?

Deixe o outro adulto mediar de vez em quando, sem tomar partido, e crie tempo a sós entre pai e filha para atividades de que ambos gostem.

A quem pedir ajuda se os conflitos em casa forem graves?

Ao médico de família, ao psicólogo da escola ou à linha SNS 24 (808 24 24 24). A criança ou o jovem pode ligar para a Linha SOS Criança, 116 111. Em perigo, ligue 112.