5 lendas de Natal para contar às crianças
Histórias curtas para ler em voz alta antes de dormir ou na sala de aula. Cada lenda vem recontada para os mais novos e acompanhada do que se sabe sobre a sua origem, para distinguir a história da História.

As lendas de Natal são histórias que se contam há séculos e mudam um pouco cada vez que alguém as conta. São curtas, têm uma imagem forte e terminam com algo para pensar. As cinco abaixo são recontadas por nós, em palavras simples. Depois de cada uma, uma nota diz de onde vem, com base nas entradas da Wikipédia em português lidas a 2 de outubro de 2026. Uma lenda não é um facto histórico, e vale a pena dizê-lo às crianças mais velhas.
Para educadores que procuram lendas para contar na escola, cada história cabe em cinco minutos e tem uma pergunta final para a roda de conversa.
1. São Nicolau e os sacos de ouro
Conta a lenda que, numa cidade antiga, vivia um homem tão pobre que não tinha como ajudar as suas três filhas a casar. O bispo da cidade, Nicolau, soube da história. Não quis que ninguém o visse ajudar: numa noite escura, aproximou-se da casa e atirou pela janela um saco cheio de moedas de ouro. E voltou a fazê-lo, sem nunca dizer quem era.
O que se sabe: a entrada «Nicolau de Mira» apresenta-o como um bispo grego de Mira, na atual Turquia, celebrado a 6 de dezembro, e conta esta tradição como a origem da sua fama de benfeitor anónimo. A mesma entrada liga-o à figura do Pai Natal.
Para conversar: porque é que Nicolau não queria que soubessem que tinha sido ele?
2. O galo que cantou à meia-noite
Diz-se que, na noite em que Jesus nasceu, quando toda a gente dormia, um galo cantou à meia-noite. Cantou tão alto e tão bonito que parecia querer acordar o mundo para dar a notícia.
O que se sabe: segundo a entrada «Missa do Galo», esta é uma das lendas mais difundidas para explicar o nome da missa celebrada na noite de 24 para 25 de dezembro. A mesma entrada regista outras explicações, como a de que a celebração acabava tão tarde que «os galos já estavam cantando».
Para conversar: se quisesses dar uma boa notícia a toda a aldeia, como o farias?
3. A Befana, a velhinha que chegou tarde
Bateram à porta de uma velhinha três viajantes. Iam visitar um menino recém-nascido e pediram-lhe o caminho. Ela não sabia, mas deu-lhes abrigo para a noite. De manhã, convidaram-na a ir com eles. «Tenho muito que fazer», respondeu. Mais tarde arrependeu-se, pegou na vassoura e foi atrás deles, mas nunca os encontrou. Desde então, diz a lenda, para em todas as casas onde há crianças e deixa-lhes doces, para o caso de uma delas ser o menino que procurava.
O que se sabe: a entrada «Befana» descreve-a como uma personagem do folclore italiano que visita as crianças na noite de 5 para 6 de janeiro, a noite de Reis, e conta esta lenda dos Reis Magos.
Para conversar: já deixaste para depois uma coisa que depois te arrependeste de não ter feito?
4. A árvore que nasceu no lugar do carvalho
Há muito tempo, nas florestas do norte da Europa, havia um carvalho enorme que as pessoas veneravam. Um missionário chamado Bonifácio mandou cortá-lo. Conta a versão popular que, no lugar do carvalho caído, nasceu um pequeno pinheiro sempre verde, em forma de triângulo, a apontar para o céu.
O que se sabe: a entrada «Árvore de Natal» da Wikipédia distingue a história de São Bonifácio, do século VIII, da versão folclórica posterior que acrescenta a árvore sempre verde. A mesma entrada situa a origem das árvores de Natal modernas na Europa Central, a partir do século XVI.
Para conversar: porque é que achas que se escolheu uma árvore que nunca perde as folhas?
5. Os três Reis Magos e o bolo-rei
Conta-se que, quando Jesus nasceu, uns sábios vindos do Oriente viram uma estrela nova no céu e seguiram-na até Belém. Levavam três presentes: ouro, incenso e mirra. Por serem três os presentes, diz a tradição que eram três os Reis, e deu-lhes nomes: Gaspar, Baltasar e Melquior.
O que se sabe: segundo a entrada «Três Reis Magos», o Evangelho de Mateus não diz que eram três nem que eram reis; os nomes foram-lhes atribuídos séculos mais tarde. E o bolo-rei, diz a entrada «Bolo-rei», tem esse nome em alusão aos três Reis Magos e come-se no Natal e no Dia de Reis.
Para conversar: se fosses visitar um bebé, que presente levavas?
Como contar uma lenda às crianças
- Leia antes, sozinho, e conte com as suas palavras.
- Faça pausas e mude a voz nas falas.
- Termine com a pergunta e deixe a criança responder sem pressa.
- Com as mais velhas, explique a diferença entre lenda e facto.
A história do Pai Natal, contada a partir de São Nicolau, completa bem estas lendas. Também resultam numa hora do conto entre outras atividades de Natal ou antes de um dos filmes infantis de Natal. Mais ideias em Natal com crianças.
Perguntas frequentes
As lendas de Natal são verdadeiras?
São histórias tradicionais. Algumas partem de pessoas reais, como São Nicolau, mas os pormenores foram acrescentados ao longo do tempo.
Qual é a lenda de Natal mais indicada para crianças pequenas?
A do galo que cantou à meia-noite é a mais curta e simples. A de São Nicolau resulta bem a partir dos 4 ou 5 anos.
Posso usar estas lendas na escola?
Sim. Cada uma cabe em cinco minutos e tem uma pergunta para a roda de conversa.
Porque é que o bolo-rei tem esse nome?
Segundo a Wikipédia, o nome alude aos três Reis Magos; come-se na quadra natalícia e no Dia de Reis.
Como explicar a uma criança a diferença entre lenda e história?
Diga que uma lenda é uma história que as pessoas contam há muito tempo e que pode ter um fundo de verdade, mas não se pode provar como um facto.