Porque é que os miúdos não ouvem o que eu digo? | Pequenada
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Porque é que os miúdos não ouvem o que eu digo?

Porque é que os miúdos não ouvem o que eu digo?

Porque é que os miúdos não ouvem o que eu digo?
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Todos nós já nos deparámos com o cenário onde um adulto está a falar com uma criança como se ela tivesse dificuldades de compreensão – utilizando a típica voz de “desenho animado” e recorrendo a onomatopeias (como “pópó”) em substituição das palavras exatas. Há, no entanto, cada vez mais pediatras a defender que este é precisamente o caminho menos correto para se comunicar eficazmente com as crianças. Se tem filhos pequenos, conheça algumas das linhas orientadoras que vão conduzir a uma melhor relação comunicacional entre pais e filhos.

Fale sempre com carinho

Ao contrário do cenário acima referido, há pais que acreditam que as crianças devem ser, acima de tudo, educadas com rigor. Esquecem-se então que o mais importante é, acima de tudo, educá-las com amor. Por isso, as crianças precisam de sentir o carinho dos pais – não só no que eles dizem, mas sobretudo na forma como falam. No fundo, é preciso saber que as crianças interpretam parcialmente o que ouvem, percebendo quando uma palavra tem uma conotação mais ou menos severa e avaliando o estado de espírito dos pais também pela forma como se fazem expressar. Por isso, não se esqueça de que, ao falar com os seus filhos, tem de garantir que a sua voz transmite amor, carinho e atenção.

Seja assertivo

Falar com carinho não significa, no entanto, falar com insegurança. Se quer que os seus filhos efetivamente ouçam e compreendam a mensagem, é crucial garantir uma comunicação clara e segura. A assertividade é, aqui, o mais importante. Para isso, deve procurar conversar com as crianças num ambiente sem distrações, impondo a atenção que é necessária para um diálogo eficaz e produtivo. Não vacile no discurso e procure enfatizar as palavras que pretende que sejam realmente percebidas e interiorizadas – o que pode implicar a repetição da mesma mensagem, mas com frases distintas.

Entenda as “realidades distorcidas”

Vários estudos comprovam que, só a partir dos nove anos é que as crianças desenvolvem plenamente o conceito de verdade e mentira. Até lá, é normal que a criança minta ou crie realidades que não correspondem totalmente à verdade – o que não significa necessariamente uma tentativa de enganar ou manipular os seus pais. Por isso, se tem filhos pequenos, perceba que eles nem sempre encaram o mundo à lupa da realidade – e desvalorize aquele momento, no decorrer de uma conversa, em que eles se justificam com algo que, à primeira vista, não faz sentido.

Dê exemplos

As crianças têm, como se sabe, um domínio de vocabulário bastante inferior ao dos adultos. Por isso, se tiver de explicar algum conceito mais complexo, procure recorrer a exemplos que lhes sejam mais simples de entender e descodificar. Por exemplo, ao repreender um mau comportamento da criança com um irmão, pode explicar que, na escola, a professora nunca aceitaria tal atitude entre dois colegas.

Incite à reformulação

Ao conversar com os mais novos, e como forma de garantir que eles retêm a informação que quer transmitir, o ideal é que, no fim de cada conversa, confirme se eles entenderam o que foi falado e lhes peça para recapitular, em síntese, a mensagem principal. Desta forma, não só estará a garantir a eficácia da comunicação, como estará ainda a motivar a estruturação mental e cognitiva das crianças.

Pratique a conversação

É sabido que o hábito de conversar e utilizar o diálogo como fonte de entendimento tem de ser estimulado pelos pais. Por isso, converse habitualmente com os seus filhos e não o faça apenas nas alturas em que tem de os repreender – se o fizer, as crianças irão inibir-se ao diálogo, que associarão sempre a conflitos e repreendas. A descontração é um fator chave para manter uma boa relação com as crianças (e assegurar a sanidade mental dos pais)!

Na verdade, conversar com as crianças e garantir um diálogo claro e produtivo é fácil e pode ser muito divertido. Basta apenas que lhes fale com carinho, mas sempre com assertividade, e que as envolva na resolução de decisões e comportamentos, mas também nos assuntos banais do dia-a-dia. Acredite que a sua relação com os seus filhos só tem a melhorar.

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