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Os piolhos e as crianças

Os piolhos e as crianças

Os piolhos e as crianças
mãe a catar piolhos ao filho
Crédito da Imagem: 1

Praga centenária e impossível de eliminar de forma permanente, os piolhos ainda são vistos, em muitos locais e por muitas pessoas, como um problema “vergonhoso” e que reflete a falta de higiene das pessoas que os contraem. De facto, as mais afetadas por esta praga são e sempre foram as crianças que parecem ser ímanes para os piolhos, sendo a escola o local de contágio por excelência.

O que é um piolho?

Um piolho é um pequeno parasita – normalmente do tamanho de uma cabeça de fósforo – que “ataca” apenas o ser humano. Munido de seis pernas, que permitem que se agarrem ao cabelo, o piolho tem uma cor castanha-acinzentada que o ajuda a camuflar-se no meio do couro cabeludo e fios de cabelo. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, os piolhos não conseguem saltar, nem têm asas, por isso também não voam – transitam facilmente de uma cabeça para a outra, através das brincadeiras de contacto direto e a partilha de objetos como roupa de cama, chapéus, gorros, cachecóis, escovas e pentes. O mesmo piolho pode “passear” por várias cabeças num só dia e, embora o cabelo sujo possa ser um dos motivos que contribui para a contração de piolhos, a verdade é que estes parasitas preferem o cabelo limpo.  

Como atuam?

Uma vez presos à cabeça, os piolhos picam o couro cabeludo, libertando nessa altura duas substâncias: uma anestesia local que evita que a criança sinta as picadelas e um anticoagulante que evita a cicatrização da ferida, mantendo o fluxo de sangue contínuo, para que se possam alimentar. Os piolhos mantêm-se nas cabeças durante um período que pode ir de 20 a 30 dias e põem 6 a 8 ovos diariamente. Estes ovos, mais conhecidos como lêndeas, colam-se diretamente ao cabelo (são mais visíveis devido à sua cor pérola) onde após uma semana libertam larvas que, começando também elas a alimentarem-se do sangue do couro cabeludo, necessitam de apenas 9 a 12 dias para se tornarem piolhos adultos. Um ciclo vicioso que precisa de ser detetado e tratado o mais atempadamente possível. O primeiro e principal sintoma de que uma criança tem piolhos é a comichão intensa na cabeça, sobretudo por de trás das orelhas e na zona da nuca.

O que fazer?

Embora tudo isto possa parecer muito perigoso, não é. O único efeito secundário que pode advir dos piolhos são as feridas que resultam das picadelas e do consequente coçar: se não forem tratadas atempadamente podem originar infecções. Um tratamento com champôs e loções específicas para esta praga (disponíveis nas farmácias) é o suficiente para resolver o problema. Para além de seguir à risca as instruções dos produtos a utilizar (uma vez que contêm substâncias muito fortes não podem permanecer muito tempo na cabeça), aconselha-se ainda a aquisição de um pente próprio que facilita a deteção e remoção de piolhos e lêndeas. Para se certificar que todos os piolhos e lêndeas morrem, deixe-os imersos numa bacia com água e vinagre durante cinco minutos. Se a sua criança for contagiada por piolhos, é fundamental que todos os membros da família façam o mesmo tratamento como medida de precaução. Por último, informe a escola, familiares e amigos com a criança normalmente contacta, para que também eles possam estar de prevenção. Não tem motivo nenhum para se sentir envergonhado com o sucedido, acontece a todos mais tarde ou mais cedo.

Período pós-piolhos

  • As pragas de piolhos podem ser recorrentes, por isso, durante o período escolar é importante inspecionar a cabeça do seu filho(a) semanalmente: direcione uma luz para o couro cabeludo e penteie o cabelo com o pente próprio para as lêndeas.
  • Mantenha os cabelos das crianças curtos ou apanhados.
  • Periodicamente, desinfete os objetos pessoais da sua criança com água quente.
  • Lave os lençóis da cama e toalhas de banho mais frequentemente e a temperaturas mais elevadas.
  • Evite a partilha de objetos pessoais – nomeadamente chapéus, gorros, cachecóis, escovas e pentes – e ensine a criança a fazer o mesmo.
  • No caso de ser apanhado de surpresa e não tiver consigo os produtos adequados, experimente este tratamento caseiro: antes de passar o pente pelo cabelo da criança (sempre da raiz até às pontas), embebede-o em vinagre – isto facilitará a remoção das lêndeas. Limpe o pente após cada passagem, mergulhando-o de novo no vinagre até terminar.
  • Em alternativa, junte um pouco de vinagre à quantidade habitual de amaciador e espalhe na cabeça da criança. Cubra-a com uma toalha ou touca de banho e deixe repousar durante cerca de meia hora. Passe o pente pelo cabelo para retirar o máximo de lêndeas e piolhos, lavando em seguida.

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