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Obesidade infantil: peso a mais, corpo a menos

Obesidade infantil: peso a mais, corpo a menos

Obesidade infantil: peso a mais, corpo a menos
Criança a comer chocolate
Crédito da Imagem: 1

Os números não escondem nada, colocam antes à vista de todos, a quantidade de crianças obesas que existem no mundo e que tem vindo a aumentar anualmente. O sedentarismo e um regime alimentar deficitário são os principais culpados do facto de existirem cerca de 150 milhões de crianças com excesso de peso em todo o mundo, 45 milhões das quais são já consideradas obesas. Como pôr um travão nesses quilos a mais nos corpos da nossa pequenada?

Os números da gordura infantil

Estudos recentes da International Association for the Study of Obesity apontam que, só na Europa, 1 em 5 crianças apresenta excesso de peso: estamos a falar de números que rondam os 14 milhões de crianças europeias com idade escolar, 3 milhões das quais são obesas. A estes dados junta-se ainda outro número alarmante: todos os anos contabilizam-se cerca de 400 mil novas crianças com peso a mais. Portugal tem contribuído significativamente para estes números e é um dos países europeus com a maior taxa de obesidade infantil: 30% das crianças portuguesas têm excesso de peso e 10% são obesas. No Brasil, os números são igualmente preocupantes: 20% das crianças brasileiras sofrem de obesidade e 1 em cada 3 está em risco de pertencer a esse grupo que não para de crescer.

O que é ser obeso?

De uma forma muito simples, ser obeso é ter mais peso do que o recomendado para a idade, sexo e estatura e, no caso da pequenada, é fácil distinguir entre uma criança “rechonchudinha” e outra que demonstra já dificuldades em movimentar-se porque os quilos a mais já são de facto… de mais! A ingestão de calorias a mais e a prática de exercício a menos são dois dos principais fatores que têm vindo a contribuir para um aumento crescente desta que foi já denominada como a nova “epidemia” do século XXI. Mas não só: outros fatores de risco incluem a hereditariedade (a predisposição genética também atua ao nível do excesso de peso); motivos psicológicos (as crianças também recorrem à comida para lidar com as emoções); razões familiares/sociais (o estilo de vida que a criança leva em casa e/ou na escola pode igualmente contribuir para o seu excesso de peso).

A criança e o seu IMC

A maneira mais eficaz de determinar o peso ideal de uma criança (e consequentemente confirmar o peso em excesso ou obesidade) é através do cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC). Para além de muitas outras informações úteis, o site da Plataforma Contra a Obesidade – um projeto inovador em Portugal que pretende inverter a tendência crescente da obesidade infantil – disponibiliza uma calculadora eletrónica para poder rapidamente descobrir o IMC do seu filho(a) e o que significa: quando o percentil final estiver situado entre os 85 e os 95 a criança corre o risco de excesso de peso; acima dos 95 é sinónimo de obesidade.

Peso a mais = problemas de saúde

Nas crianças, a obesidade infantil torna-se particularmente preocupante porque estamos a falar de corpos que ainda estão em desenvolvimento, o que pode provocar vários problemas de saúde a médio e a longo prazo. Sabia que uma criança obesa tem 40% de probabilidade de ser obesa na idade adulta? Para além disso, a obesidade infantil está intimamente relacionada com o desenvolvimento de doenças como a hipertensão arterial, colesterol, triglicerídeos, diabetes tipo 2, síndrome metabólica, asma, alterações no sono e problemas ortopédicos. A estas perturbações físicas, juntam-se ainda os problemas psicológicos (nomeadamente a perda de autoestima e autoconfiança, em casos mais graves a depressão), bem como os problemas sociais (serem ridicularizados e postos de parte pelas outras crianças na escola e/ou no bairro onde vivem).

O papel da família

Há um dado curioso e inquietante que demonstra bem a dimensão da obesidade infantil no século XXI: há cerca de 40 anos atrás, uma criança de 10 anos pesava aproximadamente menos 5 kg do que uma criança com a mesma idade hoje! Podemos deitar as culpas para a fast-food (a sua diversidade e abundância), para as pequenas guloseimas que damos às crianças para “não fazerem isto” ou para “fazerem aquilo”, um gelado para compensar o pouco tempo que passamos com ela, as refeições a correr e muitas vezes feitas fora de casa. Mas não só! Também os computadores, videojogos, DVDs e muitos outros gadgets que estão a “prender” as crianças dentro de quatro paredes, têm culpas no cartório. Acima de tudo, é necessário que a família tenha um papel ativo no que toca à promoção de um estilo de vida saudável para os seus filhos…e longe das estatísticas da obesidade infantil.

3 passos importantes para diminuir a obesidade infantil 

  1. Ensinar as crianças a comer: um regime alimentar dividido ao longo do dia, variado e equilibrado (nada como seguir a roda dos alimentos) é o segredo da saúde e da manutenção do peso recomendado. A alteração dos hábitos alimentares das crianças levou a um menor consumo de sopa, fruta, legumes, carne, peixe e fibras, que foram sendo substituídos por refeições rápidas, congeladas e pré-preparadas, fritos, pizzas, bolos, refrigerantes e todos nós conseguimos completar esta extensa lista! Há que repor a tradição à mesa, em termos de alimentos e de rituais…sem esquecer um docinho ocasional! Para além disso, quanto mais a criança começar a comer de tudo, mais fácil será manter esses hábitos saudáveis nos anos vindouros.
  2. Incentivar o exercício físico: mudaram-se os tempos e mudaram-se as brincadeiras. As nossas crianças já não correm ou antes, correm para se sentarem no sofá ou ao computador: um estudo recente efetuado com 400 crianças em idade pré-escolar revelou que 60% não praticava qualquer tipo de exercício físico! Pudera, a TV e os videojogos ocupavam cerca de 13 horas por semana! Ensine às suas crianças o prazer de andar ao ar livre (não se lembra que bom que era?), levando-as ao parque da cidade ou à praia, inscrevendo-as em actividades desportivas extracurriculares, ensinando-a a andar de bicicleta e limitando as horas passadas em frente aos ecrãs!
  3. Vigiar o seu peso: o que um dia pode parecer um gordurinha fofinha, pode rapidamente tornar-se em quilos a mais e todos sabemos que é muito mais fácil engordar do que emagrecer! Vigie regularmente o peso do seu filho(a), recorrendo ao já mencionado cálculo do IMC e, quando em dúvida, consulte um pediatra ou nutricionista.

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