Não quero ir para a escola! | Pequenada
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Não quero ir para a escola!

Não quero ir para a escola!

Não quero ir para a escola!
Menina com mochila a apanhar flores
Crédito da Imagem: 1

De um dia para o outro, a pequenada, que até aí adorava ir para a escola, começa a demorar mais do que o costume a sair da cama, queixa-se de dores de barriga ou de cabeça, não se quer vestir, faz birras, não quer tomar o pequeno-almoço, adia ao máximo a saída de casa ou simplesmente grita bem alto “não quero ir para a escola!”. O que aconteceu? O que fazer?

Os sinais

O cenário que descrevemos acima contém os vários sinais que as crianças podem subtilmente emitir quando a escola deixou de repente de ser um local onde se sintam bem, pelo qual já não demonstram o mesmo entusiasmo e para onde já não querem ir. Esteja atento e questione a criança sobre os porquês, principalmente se ela lhe disser abertamente que não quer ir. Os motivos pelos quais a pequenada vira as costas e as mochilas à escola podem ser vários, por isso, investigue, com paciência e sem recriminações.

Bullying

Este é uma das razões mais frequentes que levam muitas crianças a declarar que não querem ir mais para a escola – o “bullying” ou a provocação/humilhação entre colegas pode manifestar-se de várias formas: agressões, ameaças, gozo, provocações e humilhações. Este tipo de situações no ambiente escolar pode assustar a criança – que terá medo de enfrentar o seu “bully” ou fazer queixa por medo de represálias – e pode acabar por isolá-la. Perante isto, é óbvio que a criança prefere a segurança da sua casa, em vez da “insegurança” da escola. Se o seu filho admitir que este é o caso, é importante ensinar à criança como deve reagir com os colegas que a atormentam, dando-lhe a autoconfiança necessária para o fazer. Deve ainda conversar com os respetivos professores e/ou pais das crianças em causa, com calma e sem acusações para não se tornar também você num “bully”.

Dificuldades de aprendizagem

Por vezes, as crianças deixam de querer ir para a escola porque sentem dificuldade em seguir o ritmo de ensino da professora, em ler ou escrever, a fazer exercícios de matemática, acham a escola “muito difícil”… e provavelmente já foram chamados à atenção por isso mesmo. Se descobrir que o seu filho não quer voltar à sala de aula porque não lê tão depressa como o Miguel ou porque enganou-se a escrever no quadro, pode estar perante uma dificuldade de aprendizagem. Esta pode ser passageira ou mais séria, por isso, para a poder ultrapassar rápida e eficientemente, agende uma reunião com o docente para questioná-la sobre isso mesmo. O professor tem reparado em alguma coisa? Como está a evoluir a aprendizagem da criança? Igual à das outras? Mais atrasada? É normal para a sua idade? O seu filho pode simplesmente precisar de um apoio extra em casa (ou um explicador): podem ler em conjunto para ele aperfeiçoar a sua leitura, peça-lhe para fazer uma cópia, assim pode praticar a sua caligrafia… Cada criança aprende ao seu próprio ritmo, mas, por precaução, marque uma consulta no pediatra, para assegurar que está tudo bem com a sua visão e audição, ou para averiguar se terá um Défice de Atenção (DDA) ou Défice de Atenção com Hiperatividade (DDAH), por exemplo.

Ansiedade

A vontade de ficar em casa em vez de ir para a escola ter com os amigos pode ainda dever-se à ansiedade que algumas crianças desenvolvem em relação à mesma: têm receio de serem chamados ao quadro pela professora e não saberem responder corretamente ao pedido; estão preocupados com o facto de não terem feito o trabalho de casa ou porque vão ter um teste; têm medo de serem postas de parte na hora do recreio (pode já ter acontecido)… este e outro tipo de situações do género podem de facto gerar as dores de barriga de que se queixam! A solução passa por estar atento à rotina escolar da pequenada, perguntar-lhes como correu o dia, acompanhar os trabalhos de casa sempre que possível e relaxar a criança à noite com a leitura de uma história, uma conversa ou alguns mimos – os miúdos são muito novos para perceberem que as suas preocupações com a escola nesta fase são quase sempre infundadas, por isso, ajude-os a perceber e a relativizar a situação: a escola também deve ser divertida!

Perturbações emocionais e físicas

Para além da ansiedade, existem outras perturbações emocionais que podem estar na base da fobia repentina pela escola: uma separação, divórcio ou morte na família pode assustar a criança ao ponto em que ela não quer ir para a escola porque tem medo de voltar e não encontrar a mãe e/ou o pai. O mesmo pode acontecer com a doença de um irmão ou animal de estimação. Mantenha sempre as linhas de comunicação abertas com a sua criança, quanto melhor a conhecer, melhor saberá decifrar o que sente e como lidar com essas situações, quase sempre passageiras. Por outro lado, o não querer ir para a escola também pode estar associado a algo tão simples como ter dificuldade em levantar-se de manhã – será que o seu filho está a dormir o suficiente?

Porque não

Da mesma forma que os adultos muitas vezes se queixam dos seus empregos (quantas vezes já acordou de manhã a pensar: “não quero ir trabalhar”?), também há crianças que nunca vão gostar particularmente da escola ou então vão viver uma ou mais fases de revolta contra as aulas, dizendo e fazendo de tudo para não terem de ir – é normal, é assim com todos os miúdos, faz parte da sua personalidade e crescimento. Aos pais cabe-lhes incentivar a educação como algo positivo, conferindo-lhe uma responsabilidade acrescida do tipo “a escola é o teu trabalho Simão”, mas também deve ser estimulado como um local de convívio e diversão – explique-lhes que na escola têm tempo para aprender mas também para brincar. Pode ainda estreitar a ligação da escola com a esfera mais privada da vida da criança ao convidar, por exemplo, os amigos da turma para a festa de aniversário do seu filho.

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