8 dicas para lidar com crianças que não querem comer

Recusar a sopa, só querer massa, levantar-se da mesa ao terceiro garfo: é frequente entre os 2 e os 6 anos. Eis o que a DGS aconselha fazer, o que aconselha evitar e quando vale a pena falar com o pediatra.

Ilustração em aguarela: uma criança pequena numa cadeira alta come sozinha com uma colher uma porção pequena de arroz, peixe e feijão-verde, com uma tigela de sopa à frente. Ao lado, um adulto come a mesma refeição num prato maior, com um jarro de água e uma taça de fruta na mesa e a televisão desligada ao fundo.
Ilustração: desenho explicativo, não uma fotografia.

A pergunta «como fazer a criança comer» é das mais repetidas pelos pais de crianças pequenas, e a resposta curta das fontes oficiais surpreende: não se trata de a fazer comer, trata-se de organizar as refeições para que ela coma. O guia da DGS «Alimentação Saudável dos 0 aos 6 anos» tem uma lista do que fazer e do que não fazer, e foi daí que tirámos as oito dicas abaixo.

Este artigo é informação geral: não substitui a consulta com o pediatra ou o médico de família, que conhecem o seu filho. Não serve para avaliar se uma criança come o suficiente; isso faz-se na consulta, com as curvas de crescimento.

O que é normal nesta idade

O guia da DGS chama neofobia alimentar à aversão a alimentos novos e descreve-a como característica das crianças entre os 2 e os 6 anos. Explica também que o apetite acompanha um crescimento «em degraus», com fases de mais e de menos fome, e que é comum recusar um alimento pela cor, pela textura, pela temperatura ou por estar misturado com outro no prato.

O SNS 24 diz o mesmo de forma mais breve: a criança pode ter, transitoriamente, alguma resistência a experimentar novos alimentos.

8 dicas para crianças que não comem

1. Horários certos e nada a petiscar antes

A DGS sugere um intervalo de 1,5 a 2 horas depois de uma merenda e de 2,5 a 3 horas depois do almoço, e pede que se evitem snacks muito calóricos antes das refeições. Se a criança tem fome antes do jantar, a DGS propõe hortícolas como aperitivo: tomate-cereja cortado, cenoura cozida, pepino.

2. Porções pequenas

A DGS lembra que as crianças têm um estômago pequeno, que sacia depressa, e pede que a quantidade no prato seja ajustada ao que a criança costuma comer.

3. Oferecer de novo, sem pressão

Um alimento recusado volta à mesa noutro dia, em pequena quantidade, ao lado de coisas que a criança já aceita. O mesmo guia refere que, em média, são precisas 10 a 15 tentativas para um alimento novo ser aceite.

4. Comer juntos, sem ecrãs

A DGS pede refeições em família sempre que possível, com os adultos sentados a comer o mesmo, e um espaço sem distrações como a televisão. As crianças aprendem vendo.

5. Não trocar o prato por outro

Nas palavras do guia, não se deve substituir a refeição por outros alimentos do agrado da criança, como trocar o almoço por leite. Quem aprende que a recusa traz outra comida, recusa mais vezes.

6. Não usar doces como prémio

A DGS desaconselha subornar a criança com doces para comer, e o SNS 24 pede que a comida não seja usada como prémio nem castigo. Explicamos as razões nos nossos motivos para controlar o açúcar das crianças.

7. Tempo limitado e calma

O guia da DGS considera que mais de 30 minutos para uma refeição principal é demasiado, e sugere retirar o prato quando é evidente que a criança não vai comer mais, sem zangas nem críticas à frente de outras crianças.

8. Pôr a criança a participar

Elogiar quando come um alimento de que gosta menos, deixá-la comer sozinha e envolvê-la nas compras e na preparação da comida são sugestões da própria DGS. Uma criança que lavou os morangos tem mais vontade de os provar; veja como ajudar uma criança a comer fruta.

FazerEvitar
horários regularessnacks antes da refeição
porções pequenasprato cheio «para crescer»
repetir o alimento recusadodesistir à primeira recusa
refeição em famíliatelevisão ligada
não prolongar a refeição além de 30 minutosdiscutir, castigar, subornar

E as birras à mesa?

Aos 2 anos, uma recusa à mesa pode ser só uma forma de afirmar independência, como nota o próprio guia da DGS. Responder com calma, sem negociar e sem transformar o prato numa luta, costuma resolver mais do que insistir. Se a dúvida é até onde insistir, temos uma resposta detalhada sobre se deve obrigar as crianças a comer.

Lembre-se também do que se bebe: o guia da DGS descreve os sumos como bebidas que tiram o apetite para a comida. Água às refeições ajuda; veja como pôr as crianças a beber mais água.

Quando falar com o pediatra

O guia da DGS distingue a fase normal das situações que devem ser partilhadas com o pediatra. Fale com ele se:

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Perguntas frequentes

O que fazer quando a criança não quer comer nada?

Retire o prato sem zangas, não ofereça outra comida e espere pela refeição seguinte, a horas. Se acontece com frequência ou a criança parece doente, fale com o pediatra.

A criança pode ficar sem jantar?

O guia da DGS diz que ao jantar a sopa e a fruta bastam na maioria dos casos e que se pode deixar a criança gerir a quantidade do prato principal. Uma refeição mais pequena não é motivo de alarme numa criança saudável.

Quantas vezes tenho de oferecer um alimento novo?

A DGS refere que, em média, são precisas 10 a 15 tentativas. Ofereça pouco, várias vezes, sem pressão e ao lado de alimentos que a criança já aceita.

Distrair com o tablet ajuda a criança a comer?

A DGS pede refeições sem distrações como a televisão. A criança pode comer mais naquele momento, mas não aprende a reconhecer a fome nem a gostar da comida.

A minha criança só come massa. É grave?

Uma fase seletiva é comum entre os 2 e os 6 anos. Se a lista de alimentos aceites fica cada vez mais curta, a DGS aconselha partilhar a situação com o pediatra.