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10 motivos para controlar o açúcar na alimentação das crianças

10 motivos para controlar o açúcar na alimentação das crianças

10 motivos para controlar o açúcar na alimentação das crianças
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Um doce ocasional não é prejudicial para a pequenada, mas todos sabemos que, nos dias que correm, a maioria das crianças ingere diariamente quantidades excessivas de açúcar. E quais as consequências deste overdose de açúcar? Estamos a colocar as nossas crianças à mercê de diversos problemas de saúde e, por isso mesmo, é preciso começar a controlar a quantidade de açúcar que consomem.

Açúcar: o veneno dos tempos modernos?

Recentemente, o ilustre cientista Robert Lustig afirmou que o açúcar é o veneno dos tempos modernos, possuindo efeitos cuja nocividade só é comparável aos do tabaco e outras drogas. Aliás, o açúcar é, por vezes, considerado uma droga, na medida em que também gera adição ao ativar o sistema de recompensa do cérebro quando ingerido. Relativamente às crianças, elas nascem a preferir sabores doces (uma vez que o leite materno possui açúcares naturais), e muitas vezes a sua introdução aos alimentos sólidos começa exatamente pelas frutas, papas ou cereais igualmente doces.  Conheça 10 motivos para controlar o açúcar ingerido pelos mais pequenos e comece já a pensar em alternativas saudáveis para substituir os doces!

1. Supressão do sistema imunitário

Diversos estudos científicos têm vindo a demonstrar que o consumo excessivo de açúcar compromete o sistema imunitário ao enfraquecer a ação dos neutrófilos, um tipo de leucócitos que desempenha um papel crucial na defesa do organismo multicelular ao combater bactérias e micróbios prejudiciais. O açúcar reduz significativamente a capacidade de resposta dos neutrófilos, pelo que o corpo humano fica mais exposto a ameaças externas.

2. Interferência na absorção de cálcio e magnésio

Na literatura científica, o açúcar tem sido consistentemente apontado como responsável por perturbações do equilíbrio cálcio/magnésio. Especialistas afirmam que o açúcar aumenta o cálcio no sangue ao incitar a reabsorção de tecido ósseo – um estudo recente, conduzido em ratos, demonstra que apesar de o açúcar não ter sido implicado em alterações osteoporóticas, foram encontradas evidências claras de densidade óssea empobrecida em animais que seguiam uma dieta à base de açúcar. Adicionalmente, e numa relação aparentemente paradoxal, o consumo de açúcar aumenta a necessidade que o corpo tem de magnésio e vitamina B6 mas, ao mesmo tempo, o açúcar inibe parcialmente a capacidade de absorção destes dois elementos.

3. Diminuição da quantidade de nutrientes recolhidos

Alguns tipos de açúcar, como a sacarose e o xarope de milho, contêm enormes quantidades de calorias sem quaisquer nutrientes essenciais. Por esse motivo, são frequentemente apelidadas de “calorias vazias” – o corpo não recebe proteínas, gorduras essenciais, vitaminas nem minerais, apenas pura energia. Uma alimentação infantil onde 10% a 20% das calorias ingeridas chegam através de alimentos à base de açúcar pode revelar-se altamente problemática, podendo contribuir para graves deficiências em termos de nutrientes.

4. Depressão

O consumo de açúcar provoca uma autêntica montanha-russa nos níveis de açúcar no sangue, alternando picos com decréscimos acentuados, que podem agravar os sintomas relacionados com transtornos de humor. A pesquisa científica tem ligado o consumo excessivo de açúcar a um risco acrescido de depressão e intensificação dos sinais de esquizofrenia. Isto acontece porque o açúcar suprime a atividade de uma hormona chamada BDNF, normalmente baixa em indivíduos com depressão e esquizofrenia. Paralelamente, o açúcar parece ser a raiz da inflamação crónica, que afeta o cérebro e outros sistemas do corpo implicados na depressão. Curiosamente, países com altos consumos de açúcar apresentam também uma elevada taxa de depressão. A depressão afeta cerca de 2% das crianças em idade pré-escolar, pelo que reduzir o consumo de açúcar pode ajudar a conter este problema.

5. Cáries

A cárie dentária é uma doença multifatorial, infecciosa e dependente de sacarose. Para se desenvolver, a cárie necessita da interação entre micro organismos patogénicos e uma dieta cariogénica, num hospedeiro que ofereça um ambiente adequado, durante um determinado período de tempo. As cáries estão intimamente ligadas à introdução dos hidratos de carbono refinados na dieta alimentar, principalmente o açúcar, que é considerado o dissacarídeo mais cariogénico. A análise estatística dos resultados obtidos em inúmeros estudos científicos confirma que a preferência por alimentos doces está relacionada com um maior número de cáries nas crianças. E todos sabemos que é de pequenino que se começa a cuidar dos dentinhos!

6. Aumento exponencial dos níveis de adrenalina

Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Yale demonstrou que, algumas horas após crianças normais e saudáveis ingerirem uma grande quantidade de açúcar com o estômago vazio, os seus corpos começam a libertar grandes quantidades da hormona adrenalina (também conhecida como epinefrina), que causa sintomas como tremores, ansiedade e excitação… algo que pode rapidamente evoluir para cansaço, irritabilidade e birras!

7. Obesidade

A obesidade infantil duplicou desde a década de 1970, enquanto a obesidade em adolescentes mais do que triplicou no mesmo período – atualmente, quase um terço das crianças possui excesso de peso. Estudos constataram que os mais pequenos consomem três a quatro vezes mais a dose diária recomendada de açúcar, e esta tem sido apontado como uma das principais causas de obesidade nas crianças.

8. Eczema

Investigadores têm sugerido uma ligação entre o desenvolvimento de eczema e alergias alimentares. Tal ligação tem dado suporte à exclusão de certos alimentos da dieta como um meio de tratamento. O açúcar, especialmente na sua forma mais refinada, pode ser o principal culpado por de trás de muitas doenças inflamatórias. Ao consumir alimentos ricos em açúcar, o corpo liberta insulina, juntamente com radicais livres prejudiciais, que têm o potencial de danificar as células saudáveis. Esse dano promove uma resposta inflamatória enquanto  o sistema imunológico tenta combater os radicais livres. As crianças são particularmente propensas a alergias alimentares nos primeiros anos de vida, pelo que o açúcar deve ser consumido com cautela.

9. Mau humor

A ingestão diária e excessiva de açúcar provoca irritabilidade e mau humor nas crianças quando, algumas horas após o consumo, os níveis de açúcar no sangue caem abruptamente.

10. Pode agravar sintomas da síndrome de défice de atenção e hiperatividade

Apesar de controversa, esta é uma afirmação que continua a ser estudada pela ciência moderna, existindo alguns estudos que corroboram a ligação entre consumo excessivo de açúcar e hiperatividade em crianças, enquanto outros descartam totalmente tal vínculo. Não obstante, existem evidências credíveis no sentido de o açúcar ser responsável por afetar negativamente a capacidade de concentração dos mais pequenos.

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